Sentindo a vida de um jeito colombiano

Foi no segundo dia em Cartagena que conheci Abraan, um espanhol que passava o dia cantando “Tiro ao Alvaro” com um sotaque latino, assim que soube que eu era brasileiro. Indo para a Igreja da Santísima Trinidad, um ponto de encontro onde colombianos e estrangeiros sentam-se em uma praça para beber cerveja barata (R$ 3,50 o litrão) e conversar ao ar livre, Abraão me chamou a atenção para o jeito de viver dos colombianos do Caribe. “O melhor conselho que posso te dar é que aprenda com eles como passar o tempo”, me disse.

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Esse estilo não é tão evidente em Cartagena, onde há mais turistas e vendedores de outros países que locais, mas em Barranquilla, cidade da costa do Caribe, a 100 quilômetros de Cartagena, é impossível não reparar nos colombianos sentados na rua conversando ou em como trabalham. Procrastinam até para tomar uma cerveja.

bus-1294364_1280Mesmo ao calor de 40º graus de Barranquilla, o costume é tomar a “bira” na temperatura ambiente, porém gelada. Pegam um grande copo tulipa, de 20 centímetros de altura, e o enchem de gelo. Depois, despejam cerveja dentro. A diferença de temperatura fora e dentro do copo e a grande quantidade de gelo cria uma reação química “fumegante”. É preciso esperar o vapor parar de subir para só então tomá-la.

Em Cartagena, Dendê, um colombiano de San Andrés, costumava ficar sentado nos degraus de entrada do hostel em que estava. Algumas vezes, parava para conversar com ele um tempo e não era raro que outras pessoas conhecidas se demorassem alguns minutos por ali também. Depois, saíamos a caminhar pela ciudad amurallada – um bairro cuja arquitetura de quando a cidade foi construída permanece conservada, localizado dentro dos muros que defendiam Cartagena dos piratas que tentavam conquistá-la há séculos atrás – e voltávamos para frente do hostel ou sentávamos em alguma praça.

Em Barranquilla, em um restaurante, uma funcionária limpava o chão e volta e meia parava para sentar e conversar com uma colega por alguns minutos, antes de continuar o trabalho. As próprias pessoas que compravam alimentos nas ruas se demoram trovando com os vendedores.

Assim é o estilo de viver dos colombianos do Caribe. Temos muito o que aprender com eles.

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