Revivendo Rainha da Sucata

As décadas de 80 e 90 foram consideradas por muitos como a época de ouro da teledramaturgia nacional. Uma série de folhetins escritos nessa época eternizaram personagens antológicos, situações inesquecíveis e uma identificação e verossimilhança com o Brasil daquela época, ainda em período de transição pós anos as sombras da ditadura.

globo, rainha da sucata

Rainha da Sucata, escrita por Sílvio de Abreu foi uma dessas maravilhas que retrataram nosso país de forma impecável. Em 1990, época que a novela foi veiculada na Rede Globo, o Brasil vivia uma corrupção escrachada, uma aristocracia falida que vivia de aparência e esnobismo, em contraponto á uma classe operária emergente que ganhava cada vez mais espaço ás custas de muito trabalho.

Gloria Menezes, Regina DuarteMaria do Carmo e Laurinha

Na pirâmide da trama temos Maria do Carmo Pereira, uma sucateira bem-sucedida de origem humilde que construiu um império na Avenida Paulista. Mulher impulsiva, batalhadora, é apaixona por Eduardo Albuquerque Figueroa, (Tony Ramos), aristocrata falido que tem o projeto ambicioso da construção de um carro que promete ser a grande inovação do mercado automobilístico nacional. A antagonista da trama é Laurinha Albuquerque Figueroa, socialite decadente, madrasta de Edu e que nutre uma paixão avassaladora pelo enteado. E são nas duas personagens, interpretadas por Regina Duarte e Glória Menezes que Sílvio de Abreu teceu a crítica ferrenha (e sempre divertida) acerca de uma sociedade que vive de aparência e debocha de seus próprios valores.

Claudia Raia, Antonio Fagundes, Rainha da SucataAdriana e Caio

O núcleo de coadjuvantes da trama era espetacular: Antonio Fagundes, interpretando o gago Caio, em dupla com a Adriana de Cláudia Raia, arrancaram risadas hilariantes do público, em uma rara aparição de Fagundes em um papel cômico. Mas ninguém teve maior destaque que a Dona Armênia, de Aracy Balabanian, eternizando o clássico termo “na chon”. Para os nostálgicos de plantão, o canal Viva reprisa de segunda a sexta, á meia noite o folhetim.

 

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