Obesidade, sistema nervoso e vício

Por Nutri Marina Medeiros

Certamente você já ouviu falar da relação de vício atribuída a alguns alimentos, as vezes comparada até ao efeito causado pelo uso de drogas. O que acontece é que a obesidade é uma doença ligada diretamente ao sistema cerebral, e o indivíduo tem uma vontade constante de ingerir alimentos específicos. Determinados alimentos carregam misturas fortes para incentivar o gosto, principalmente com carboidratos misturados a lipídios de baixa qualidade (doces em geral, frituras, sorvetes, produtos de padaria…).

Uma pesquisa da Nature Neuroscience faz essa relação, pois a dopamina – um neurotransmissor cerebral – ativa nosso senso de prazer, mas ao analisar a ressonância de um viciado em drogas ilícitas mão houve a expressão de receptores de dopamina. O mesmo acontece com indivíduos com IMC acima de 40Kg\m², onde há uma menor expressão de receptores de dopamina comparando com indivíduos com IMC saudável.

A gordura se deposita em diferentes partes do nosso corpo, no tecido subcutânea e também como gordura visceral. Essa última é a pior deposição, pois a gordura está entre os órgãos e somada a secreção de substâncias inflamatórias ela predispõe a resistência à insulina, doenças cardiovasculares, hipertensão arterial sistêmica e esteatose hepática não alcoólica (gordura no fígado), entre outras complicações.

Quanto mais há acúmulo de gordura corporal, maior produção de peptídeos. Um dos principais é a leptina e sua ação fisiológica é diminuir a fome, agindo no hipotálamo onde os neurônios estimulam a fome e a leptina é a responsável por neutraliza-los. Isso acontece para que os indivíduos tenham saciedade após a refeição, comam menos e diminuam esse acúmulo de gordura. Mas quando o indivíduo tem uma quantidade de gordura corporal muito alta, o corpo fisiologicamente produz muita leptina para tentar fazer essa sinalização, e esse excesso de leptina circulando no corpo não tem efetividade em sua ação local, principalmente na parte hipotalâmica. Ou seja, perde sua função de saciedade. Isso tem uma ação direta sobre outro peptídeo, chamado grelina, que ao contrário da leptina, estimula a fome.

No caso de indivíduos obesos, o alto índice de leptina plasmático e de produção do tecido adiposo geram a constante produção de grelina, sendo assim ele tem menor saciedade e cada vez mais fome. Essas alterações fisiológicas comprometem o comportamento alimentar do indivíduo, que ao mesmo tempo este comportamento continua sendo gatilho para aumentar o tecido adiposo e a obesidade. Por isso o tratamento do excesso de peso é multifatorial e multidisciplinar, e esses fatores devem ser considerado pelo profissional pois o próprio corpo do obeso está estimulando ele a continuar com os mesmo hábitos e vícios.

 

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