O papel do vinho tinto no “paradoxo francês”

Por Nutri Marina Medeiros

Paradoxo francês é uma expressão utilizada para se referir ao paradoxo existente entre a alimentação dos franceses e a sua saúde. Desde 1819 observa-se que os franceses, apesar de consumir muitas gorduras, têm menores índices de mortalidade por doença cardíaca do que outros países com consumo idêntico ou menor de gorduras e, inclusive, com níveis comparáveis de colesterol plasmático na população.
Duas hipóteses podem nos ajudar a entender o motivo desse fenômeno. A primeira tem a ver com o clima da região, de invernos rigorosos e verões mais quentes e chuvosos, onde os nativos seriam mais altos, com uma massa óssea e muscular mais resistente, afetando positivamente o seu metabolismo e melhorando assim a absorção de gorduras. A outra hipótese diz respeito à alimentação dos franceses, principalmente aos efeitos benéficos do consumo frequente de vinho.
Desde a época, por volta de 1800, uma grande produção científica foi gerada na busca de uma resposta para essa intrigante constatação. Mas atualmente já está bem estabelecido que os polifenóis (produzidos naturalmente pelos vegetais para servirem como armas de defesa das plantas e estão presentes especialmente nas cascas e sementes das uvas, tendo como um bom solvente o álcool) provocam uma melhora do metabolismo dos lipídios, aumentando a atividade antioxidante e melhorando o estado de coagulação sanguínea, contribuindo realmente para a diminuição da morbidade por doenças coronarianas.
Um desses estudos foi de Urquiaga et al, que avaliaram o consumo de vinho tinto e os parâmetros relacionados com a aterosclerose, e perceberam que os voluntários com uma dieta mediterrânea e consumo diário de vinho tinto apresentaram melhor perfil de gorduras sugerindo um menor risco cardiovascular.
O vinho contém também taninos e epicatequinas, que possuem atividade antioxidante vinte vezes mais potente que a vitamina E, um clássico antioxidante. O resveratrol é um dos flavonoides da uva mais conhecidos, e colabora também para elevação das taxas de HDL colesterol. O maior conteúdo dessas substâncias nos vinhos foi encontrado, principalmente nos tintos Chianti, Bordeaux e Riojas.
Avaliando o conteúdo de polifenóis do vinho tinto, branco e cerveja observou-se que o vinho tinto tem a maior quantidade de polifenóis totais, sendo cerca de 1000 a 4000mg\L, enquanto a versão branca do vinho possui de 200 a 300mg\L. Mas como o álcool deve ser recomendado com muita prudência, e alguns indivíduos não devem consumi-lo utilizar outra bebida também muito rica nessas substâncias protetoras, o suco de uva. O suco de uva na sua versão integral, sem adição de nem um outro ingrediente pode ser consumido como fonte de flavonoides, exercendo também essa função protetora.
A dica é utilizar vinhos e sucos de boa qualidade, preferindo as versões orgânicas, e sempre com moderação! No próximo texto saberemos um pouco mais sobre a dieta mediterrânea e como podemos adapta-la para a realidade do Brasil! Tin- tin!

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