Considerações sobre comportamentos sociais e hábitos que levam à obesidade infantil – O posicionamento dos pais

Por Nutri Marina Medeiros

Em geral, quando observamos um adulto que não com doce, nem bebe refrigerante pensamos de uma forma positiva, considerando uma atitude correta de uma pessoa que se cuida. Já quando se trata de uma criança com essa escolha o pensamento se direciona a uma intenção de pena com a criança, é decisão dos pais é julgada como restrição indevida por parte da família. Se for uma escolha da criança, esta também dificilmente recebe um elogio. Ao contrário, ela receberá os mais diversos incentivos para convence-la a comer.
Essa fala tão comum é mais um dos fatores que contribui para o aumento nos níveis alarmantes de obesidade infantil no mundo. Claramente, observa-se que as crianças comem menos comida de verdade, e mais produtos industrializados ao mesmo tempo em que ficam mais horas em frente à smartphones e televisão. Essa combinação resulta em doenças crônicas, anteriormente diagnosticadas em adultos se manifestando em crianças.


São diversos fatores por traz disso. Além do comportamento alimentar, dos hábitos da família e do sedentarismo, eu cito as propagandas voltadas ao público infantil e os rótulos com alegações confusas e indevidas que ora atraem as crianças, oram passam a informação aos pais que estão oferecendo um alimento adequado ao seu filho quando na verdade está longe disso.
Incentivando um comportamento alimentar errados dessas crianças está a crença de que criança pode tudo. E porque a criança deve aprender desde cedo que o rotineiro não é comer doce e tomar refrigerante¿
Na maioria dos momentos felizes da nossa vida a comida está presente. Quando você recebe uma visita, oferece uma comida ou bebida. Quando faz aniversário, reúne seus amigos ao redor de doces. Quando é dia da criança agrada com doces…e assim por diante. E isso faz parte da organização da nossa sociedade, mas não é o momento eventual que causa problemas, é o dia-a-dia. Tendo equilíbrio, sem excesso de permissões ou excesso de proibições se constrói uma relação adequada com a comida.
As crianças não devem ter preocupação com o peso e com a aparência, mas tudo se ensina desde cedo, inclusive educação nutricional, e eles são inteligentes e capazes para irem aprendendo quais alimentos deve ser a maioria na alimentação e se preocuparem então com a sua saúde. Crianças maiores de 2 anos podem comer doce. Adultos em geral também pode comer doce e beber refrigerante. No entanto o adulto (deveria) tem discernimento para escolher os momentos e a quantidade de consumo.
Assim como em outros aspectos da criação, a criança precisa de limites e orientação. Um afeto não pode ser substituído por guloseimas. A falta de tempo dos pais não pode justificar alimentos industrializados em excesso n a rotina da família. Pois é grande a responsabilidade e participação dos pais na nutrição de uma criança em fase de crescimento precisando de muitos nutrientes e correndo o risco de se intoxicar com esses alimentos só porque se instituiu que guloseima é comida de criança. Afinal, o que não é bom para um adulto, é pior ainda para uma criança.


O leite materno é mais adocicado para o paladar, então logicamente as crianças vão preferir esses alimentos. Mas quando pequenas elas não tem o paladar adulterado como os adultos, e percebem melhor o doce natural dos alimentos. Já é comprovado quanto mais açúcar e aditivos alimentares uma criança consome, menos ela vai se agradar dos sabores naturais, e maior será busca pelo sabor artificial. O contrário também acontece, pois quanto mais amargos se consome mais se restaura o paladar.
Desde a gestação, até a introdução alimentar, cada decisão dos pais vai construindo na formação dos hábitos alimentares da criança. E uma observação importante a fazer é a inclusão de fórmulas industrializadas desde os primeiros dias de vida do bebê. Sabe-se que muitas vezes o uso delas é necessário, mas exceto em casos específicos a amamentação é a fonte de alimento perfeito. Nada se compara aos nutrientes fornecidos pelo leite materno, para imunidade, para a microbiota saudável, para o desenvolvimento neurológico, e também para o vínculo afetivo da mãe e do bebê.
Por isso pense no que você come, e qual a relação que você tem com a comida desde a sua infância. Atente-se que vincular esses alimentos prejudiciais aos momentos bons da vida faz que com a compensação nos momentos difíceis muitas vezes seja atacando uma panela de brigadeiro. Por isso quando ver uma criança lembre-se de tentar mostrar a ela que comida de verdade também é gostosa e deve participar dos momentos bons da vida. Não use de estratégias como “Só depois que comer os vegetais, ganhará um doce”, isso só reforça a ideia de que o vegetal é ruim, e o doce é recompensa.
Essas estratégias incentivam um comportamento depressivo, aumentam a ansiedade das crianças, e cada vez mais se enxerga nelas as angústias, doenças, obesidade e complicações que eram na maior parte problemas de adultos até algum tempo atrás.

Pense que para tratar o vício de drogas, cigarro e álcool a recomendação é se afastar desses produtos, mas para consertar o relacionamento com a comida se precisa de muito mais, afinal, comer não é opcional e se afastar não é uma alternativa. Ao invés de focar em restrição, busque informação, procure um nutricionista e foque na adequação alimentar. Ensine as crianças a lidarem com a comida de forma saudável, e reaprenda também.

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