Vai Que Cola – a redenção vitoriosa do humor

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Um fenômeno que sempre me acometia era sentir o impacto do ocaso da vida ao ouvir a trilha de Os Trapalhões no entardecer do domingo. Onde eu estivesse a musica me alcançava, trazendo consigo uma leve melancolia, do tipo que a noite fechada desvanece, insinuando a ideia de que, enfim, la nave vá. E a vida continuava.

É conhecido o dito popular de que todo palhaço é triste. Eu, como comediante, não fujo ao padrão. Certas comédias me deixam extremamente séria, talvez pela inocência perdida nos livros e nas experiências da vida. Mesmo sem cultuar os humorísticos da televisão – a Praça da Alegria, O Planeta dos Homens, Balança, mas não cai, Viva o Gordo,Chico Anísio Show, A Praça é nossa, Escolinha do Professor Raimundo, Zorra Total –, por entender a impossibilidade dos roteiristas de manter a qualidade das piadas num ritmo frenético de produção, sempre admirei os humoristas, cavalheiros Quixotescos do fazer rir. Às vezes presos a um bordão por quase toda a sua vida; Sempre mantendo a graça, o riso estampado em reuniões de trabalho, sociais, festas, casamentos, batizados e até em velórios. Imaginem o escândalo de um humorista ser flagrado numa grosseria ou estupidez com outro ser humano. Fim de carreira. E foi nesta época que descobri a força dos personagens.

Vai que cola elenco sentado

Em março de 1996 surge uma novidade no mercado dos humorísticos. Sai de Baixo estreia num formato de sitcom, com estrutura teatral e com a presença de plateia. Uma comédia de auditório. Com episódios escritos por Miguel Falabella, Rosana Hermann, Maria Carmem Barbosa e Euclydes Marinho, dentre outros roteiristas, o programa foi um sucesso de crítica e audiência. Mas, apesar de conquistar um público fiel, foi cancelado em 2001 pela Rede Globo, que decidiu investir no então no crescente mercado de reality shows.

O fenômeno da vez saiu do não recente, mas reinventado gênero de Stand Up Comedy. Jovens humoristas desafiaram os grandes canais e criaram seu público nos bares – berço do gênero – nos canais da web e nas redes sociais. Mas como a força do capital tudo engole e transforma, esses mesmos humoristas estão agora nas grandes redes representando o novo humor da TV.

O melhor entre os melhores é a atração de maior audiência da TV paga nos últimos 10 anos que atingiu 11 milhões de espectadores em seus primeiros 20 episódios. Trata-se de Vai que Cola, um sitcom brasileiro gravado semanalmente no HSBC Arena e exibido pelo canal a cabo Multishow. A primeira temporada foi exibida do dia 8 de julho a 30 de agosto de 2013, sendo confirmada uma segunda temporada em 2014.

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Com um elenco vibrante, Vai que Cola tem um enredo digno dos mais famosos Vaudevilles. Após se meter em uma falcatrua, o malandro zona sul Valdomiro Lacerda (Paulo Gustavo) vai morar em uma pensão, localizada no bairro do Méier, na cidade do Rio de Janeiro, tentando fugir da Polícia Federal. A dona da pensão, Dona Jô (Catarina Abdala), acaba recebendo-o como hóspede por acreditar na sua recuperação.

Vai que cola catarina e paulo

As histórias da pensão são alimentadas pelos conflitos provocados por seus moradores. O afetado Zelador Ferdinando (Marcus Majella) sonha em ser um ator de teatro musical e enfeita suas frases com estrangeirismos. A fogosa Terezinha (Cacau Protásio), viúva do bicheiro Tiziu do Salgueiro, só quer aproveitar a vida dançando até o chão nos bailes.

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Jéssica (Samantha Schmutz) é filha da proprietária da pensão e sonha em ficar milionária sem fazer força. Acredita que o futuro está na Web. Jéssica se divide entre o amor de Máico (Emiliano DÁvila) e o assédio de Lacraia (Silvio Guindane).

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Wilson (Fernando Caruso) é tímido e excêntrico e tenta desesperadamente conquistar Dona Jô que ele sonha em ver nua. Terezinha trás para a pensão Velna (Fiorella Mattheis), uma gringa, não se sabe se russa ou tcheca, que se veste de acordo com os trópicos, isto é, seminua. Velna é uma gringa falsa, cúmplice de um tal de Armando e que está à procura da suposta fortuna deixada pelo bicheiro Tiziu. E o circo está montado.

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No cenário giratório que apresenta os vários ambientes da pensão, a comédia dos erros se faz. Catarina Abdala é muito bem vinda num papel de destaque desde sua participação no ousado programa Armação Ilimitada (1985). Emiliano DÁvila e Fiorella Mattheis encontram no sitcom, uma oportunidade melhor do que os personagens coadjuvantes que fizeram em novelas da rede Globo. Silvio Guindane é ator premiado de cinema pelo filme Como nascem os anjos. Um competente ator que está procurando um tom maior na comédia. Fernando Caruso (Z.É Zenas Emprovisadas) é simpático e parece em casa no programa. Samantha Schmutz vem de vasta experiência em Zorra total e parece estar adorando ser a gostosa da vez. O destaque incontestável é do trio Paulo Gustavo (Minha mãe é uma peça), Cacau Protásio (Avenida Brasil) e Marcus Majella (Porta dos Fundos). Eles têm um talento refinado, uma personalidade encantadora, um timing preciso e um ar de novidade que conquista a todos.

O sucesso de Vai que Cola é a prova de que há vida fora dos muros da Vênus Platinada (Rede Globo) e que um pouco de liberdade faz milagres. Agora é esperar pela segunda temporada que, além deste elenco vitorioso, contará com os excelentes Fábio Porchat e Marcelo Médici.

vai_que_cola logoVAI QUE COLA

Formato: Sitcom

Género: Comédia

Duração: 45min.

Pais de origem: Brasil

Roteiro: Rosana Herrmann, Renato Fagundes, Fil Braz e Gabriella Mancini

Diretores: César Rodrigues e João Fonseca

Elenco: Paulo Gustavo, Fiorella Mattheis, Emiliano D’Avila, Catarina Abdala, Cacau Protásio, Samantha Schmütz, Fernando Caruso, Marcus Majella, Silvio Guindane

Exibição: Multishow

Fomato: HD

Nº de temporada: 01

Nº de episódios: 40

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