10 motivos para assistir 1001 noites, a novela turca da Band

A novela turca 1001 Noites vai ao ar de segunda a sábado, por voltadas 20hs e 20 min. O horário dá umas quebradas, mas fora isso, a novela é simplesmente imperdível para quem tem o humor mais aflorado. Aliás, quem não tem sagacidade para ver os absurdos que permeiam a trama, deveria ver, que seja, para afinar seus sentidos. Para isso, criamos a lista mais completa possível de motivos para você assistir a novela.

A foto já sintetiza bem a questão da direção da obra...

A foto já sintetiza bem a questão da direção da obra…

Sistemática da história

A história parte do princípio clássico do triângulo amoroso, e se mostra, ao longo de seus capítulos, como sendo dois. Num deles, Sherazade é disputada por dois melhores amigos, Kerem e Onur; No outro, a melhor amiga de Sherazade, Benu, que ama Kerem.

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Obviamente, essa trama tem inúmeros adornos como pano de fundo. Na verdade, TODOS os adornos possíveis, do tipo que te deixa pensando qual o absurdo que acontecerá no próximo capítulo.

Timming de capítulo

Estamos acostumados com as novelas brasileiras ou mexicanas, onde tudo demora mil e uma noites para desenrolar ou mostrar exatamente o que é.

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Pois a novela turca contraria tudo isso, tendo muito pouco da história a ser resolvido nos capítulos a seguir. De quebra, a tal super novela turca (e deve ser, mesmo!) não dá grandes noções de passagem de tempo, tornando possível cada evento ser num dia sequente, ou cada capítulo ser referente ao dia a seguir.

Diferença cultural

Muito pouco sabemos da Turquia por aqui. Mesmo a Globo tendo falado um pouco (beeeeem superficialmente) dos costumes de lá, ainda temos uma imagem super contemporânea do país, além de algumas piadinhas sobre comércio e negócios – semelhantes às que se tem sobre judeus. Ou seja, crendices populares remanescentes de antigas gerações (como a imagem de portugueses sempre de bigodes).

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Kaan e a leucemia: a mudança é unicamente o corte de cabelo – sem rapar, é claro!

A novela é datada de 2006, originalmente. Trazendo isso para o Brasil, no mesmo ano em que se discutia abrir a internet, o Orkut em decadência e o Facebook ascendendo. Muito home office surgindo, muita automatização de sistemas, e todas essas questões de tecnologia padrão do nosso cotidiano. Considerar que lá se apresenta a internet como uma grande novidade neste ano chega a ser impressionante! Claro que nossa mocinha, Sherazade, é vanguarda nesse sentido, mas só nesse sentido já nos deparamos com inúmeras diferenças culturais.

Realidade paralela

Diferenças culturais são comuns em alguns termos, mas certas questões são tão diferentes que fazem a gente pensar que a novela está tratando de uma realidade paralela.

Enquanto vemos (vemos?) o BBB com cenas ininteligíveis sob um edredom, 1001 noites tem como cena picante um beijo na testa ou o enlaçar de dedos caminhando. Talvez uma das cenas mais calientes tenha sido entre Kerem e Bennu, 0nde ela diz que as mãos dele estão muito frias e ele diz para ela esquentar para ele. UAU! Ele realmente colocou as mãos no rosto de sua namorada!!! ¬¬

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Onur e seus mamilos, protagonizando uma das cenas mais sensuais da novela (inteira!)

Paralelamente, as tramas paralelas dos triângulos amorosos são inacreditáveis, e transitam entre depressão pós parto (que você deve pensar, habitualmente, “ser normal”) e tráfico humano.

Ingenuidade

Talvez a ingenuidade da novela (que muitos chamam de seriado) chegue a um extremo em que se torna um tipo de realidade paralela. Os pilares da família estão muito bem estruturados sobre a honra e a palavra, de forma a que tudo é uma grande agressão moral.

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Sim, isso é muito bonito por um lado, mas isso cria a tensão sobre um divórcio (de um casamento que, se fosse aqui, já teria terminado há muitos anos) e sobre a existência de uma amante – que vem a ser uma humilhação para a família inteira, não unicamente para o marido ou a esposa. Se pensarmos que hoje, no Brasil, se fala em relacionamentos abertos e poliamor, esse tipo de posicionamento é praticamente medieval!

Nomes das personagens

Mantendo a ideia de ser um diferencial, a dublagem da novela manteve os nomes originais de seus personagens. Ou seja: são poucos os nomes que se decora, e menos ainda os que se sabe escrever. Se você não for atrás de material online que ensine, você nunca saberá o sobrenome da nossa tão disputada Sherazade (Evliyaoğlu) ou de seu par romântico Onur (Aksal).

OK, isso é muito bom (e muito melhor que qualquer dublagem de nome), mas quando nos deparamos com o nome de uma criança (Burçin – sim, com Ç) sendo amplamente elogiado, por ser tão lindo, não tem como não rir. Burçin é filha de Fusun com Ali Kemal, e apelidos no meio disso não existem. Lembre-se: esse é o núcleo da família Evliyaoğlu, aquela que é quase impossível de pronunciar corretamente.

Burhan Evilyaoğlu, o patriarca do clã

Burhan Evilyaoğlu, o patriarca do clã

Dublagem da criança

Dublagem é sempre dublagem, e temos a dublagem brasileira como uma das melhores do mundo. Se normalmente perdemos muitas piadas nas dublagens de seriados americanos, nesta novela temos na dublagem um ponto de agonia: a dublagem de Kaan,  finho de nossa protagonista. Honestamente? Concorre a pior dublagem que já vimos, pois não se foca de forma alguma na forma que uma criança de 5 anos fala, e sim, cria pausas chatas, que dão certa agonia nas (amém!) pouquíssimas frases que o rebento profere. O pior? Supostamente é para ser uma criança muito esperta e emocionalmente madura, com frases ocasionalmente intensas para personagens adultos (daqui, pois os da novela têm valores nitidamente inferiores aos do menino).

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Mocinha Songa Monga

Ah, Sherazade… Se ser mocinha já é terrível, seu papel é ainda pior!

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A indefesa jovem mulher turca é, além de muito água morna, uma agressão a quaisquer ideais feministas. A grande ironia da novela é que ora a família é patriarcal, ora matriarcal, e em ambos os casos, Sherazade é nada. Se até agora a novela já exibiu cerca de 40 capítulos (originalmente, cada capítulo tinha 90 minutos, mas a Band alterou para no máximo 60 – nas quartas e em qualquer data que precise, o tempo da novela diminui para 30 minutos), Sherazade já deixou de ser vítima por umas 10 frases. Sim, FRASES. O pior? Ao se deparar com a trama como um todo, é possível que ela seja um ícone da voz feminina lá pelas bandas da Turquia. Por aqui? Sim, meramente uma dramalhona, que desperta (quando muito) uma crise e vergonha alheia…

Galã tipo Nicolas Cage

Onur Aksal é seu nome, e sim, ele lembra o Nicolas Cage. Não unicamente em algum “Q” que seu rosto remete (creio ser a área dos olhos), mas em seu sex appeal (que aparece quase nunca) e na nítida inaptidão de sorrir em frente às câmeras. Onur é o bom moço da história, que é um sociopata perseguidor. Seu trunfo? Ganhou o amor de Sherazade na teimosia.

Nossa! Que sorriso!

Nossa! Que sorriso!

Se já podemos reclamar do Sr Grey de 50 Tons de Cinza, o Sr. Aksal é aquele homem adorável, que sai fazendo justiça com as próprias mãos, ameaçando, tendo crises frenéticas (que dão medo) de ciúmes… Essas coisas! Que partidão, heim?

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Co-Galã que necessita urgentemente de terapia

Kerem İnceoğlu é seu nome, e precisa urgentemente se tratar. Saindo da questão do triângulo amoroso (onde ele ama a noiva de seu melhor amigo, e pra tentar esquecê-la resolve pegar a melhor amiga dela), o dono do olhar mais freak da novelinha tem umas piadas infames, umas atitudes duvidosas e, é claro, é um grande apoiador e incentivador das atitudes medonhas de Onur.

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Kerem precisa de terapia para aprender a se dar valor, pelo o menos. Além de estar começando a dar uma de stalker com a Sherazade (de novo!), ele coloca que a melhor mulher, então, para ele é Bennu, uma alcoólatra suicida. Tá com a auto estima lá no alto, né?

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Vilãs medíocres

Fusum

Fusum é a vilã que agrega a moral do “quem planta, colhe”

A vilania turca é uma arte muito mal desenvolvida, a ponto de ser irônica sempre que dá o ar da graça. Ignorando os nítidos vilões (que são tratados honradamente, como mafiosos, corruptos, sequestradores, etc…), as grandes vilãs são mulheres, e “merecem” ser hostilizadas, pois se direcionam prioritariamente (a quem?) a Sherazade. Elas são, obviamente, motivadas por algum sentimento “notoriamente feminino”, como ciúmes, posse ou simplesmente por quererem “seu homem”. Seus super planos são destruídos a cada episódio com uma atitude (brusca) dos mocinhos de plantão, e sempre alguém se dá muito mal. O que falta saber é como essa estrutura infame se dá depois que todas foram demitidas, e nenhuma é rica nos padrões turcos, mas certamente serão mais punidas que os atiradores que foram atrás de Onur.

Mães manipuladoras

f_294569Quem nunca, não é mesmo? Mas a facção matriárquica, aqui, é a que define pudores e linhagens, defendendo a honra da família e, supostamente, defendendo a imagem dos filhos. O grande dilema? Sherazade ser viúva e ter um filho de outro casamento. Com esse evento (ordinário aos nossos olhos), as constantes crises e DRs familiares colocam as mães como figuras muito mais agressivas que qualquer vilão que aparece no caminho. Entre constantes ofensas, alfinetadas e moralismo questionável, sem dúvida as mães são as melhores personagens da novela que nos faz pensar, num todo, quem é o vilão ali em terras tão tão distantes…

 Honestamente? Pra quem tem um humor aflorado, para quem se diverte com situações inusitadas e para quem gosta do fantástico e/ou do absurdo é um grande programa de início de noite.

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