Quando o fracasso é o sucesso

Ah, o fracasso…

“Fracassar é tentar e não conseguir, fracassar é cair. Fracassar é se permitir ser humano, é o encontro mais puro e nobre com nosso caos interno. O fracasso é um amor rompido, um sonho dilacerado, um arroz queimado. O fracasso de um é o sucesso de outro. Fracassar é necessário.”

 

Pois é acerca deste tema que gira a trama do novo espetáculo da Cia Rústica. Em Clube do Fracasso somos apresentados a cinco personagens desiludidos, amedrontados, temerosos. Desiludidos porque sofreram, amedrontados porque choraram, temerosos porque… fracassaram! E enquanto narram suas experiências, riem de si mesmos, elaboram críticas pertinentes de maneira indireta e fazem analogias dos fracassos internos de cada um com a sociedade consumista e globalizada onde vivemos, que enraiza cada vez mais na mente volátil do ser humano a semente do sucesso imediato, da busca incessante por “ser alguém na vida” ao invés de “ser alguém por dentro”. E fazem isso de maneira muito perspicaz e inteligente, através de um trabalho corporal primoroso, que propõe e enriquece ainda mais o texto, potencializando, dessa forma, o questionamento.

 

  

 

  Patrícia Fagundes é ágil na direção do espetáculo, o cenário e as projecões em vídeo são absolutamente tocantes e a preparação vocal (de Simone Rasslan), impecável. A linguagem utilizada pelo grupo é eficiente pois promove um jogo que alterna-se constantemente: algumas vezes jogam entre si, em outras dialogam de forma sensível e convincente com o público sem em nenhum momento passarem a palavra aos mesmos, o que na minha opinião, é um acerto. O elenco é coeso, entrosado, orgânico em suas experiências e com excelente domínio de espaço cênico, mas é preciso enaltecer as atuações de Heinz Limaverde e Priscilla Colombi: o primeiro carrega uma sensibilidade absurda e uma comicidade ingênua que beira o clown. A segunda hipnotiza o espectador com o olho, seduz com o corpo e revela na limpeza vocal e nas pausas impecavelmente colocadas. São deles os momentos mais belos da peça.

Você deve ter percebido leitor, que não passei maiores detalhes sobre as situações que ocorrem na narrativa. Isso porque considero que as grandes obras teatrais, assim como os filmes, não devem ser contadas de forma nenhuma, pois estragaria a magia da produção. E Clube do Fracasso é uma obra-prima do teatro gaúcho. Portanto, não deixe de fracassar dessa vez!

 

 

 

FICHA TÉCNICA

Criação: Cia Rústica

Elenco: Francisco de Los Santos, Heinz Limaverde, Lisandro Bellotto, Marina Mendo e Priscilla Colombi

Direção e composição dramatúrgica: Patrícia Fagundes

Cenário: Álvaro Vilaverde

Trilha sonora e preparação vocal-musical: Simone Rasslan

Figurinos e adereços: Heinz Limaverde

Assistência de figurinos: Francisco de Los Santos

Composições e pitacos corporais: Cibele Sastre

Captação e edição de imagens: Fábio Lobanowsky

Iluminação: Cláudia de Bem

Produção executiva: Morgana Kretzmann e Lisandro Bellotto

Direção de produção: Patrícia Fagundes

Fotografias: Alex Ramirez e Marina Mendo

Programação gráfica: Paloma Hernández

Assessoria de imprensa: Léo Santana

Alimentação do blog: Marina Mendo

TEMPORADA: Até 03 de julho – sábados e domingos –  21 horas – Sala Álvaro Moreyra do Centro Municipal de Cultura (Av.Érico Veríssimo 307);

Informações: 51 3221-6622

Valor: R$ 20,00

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