Programação dos Teatros Municipais da Semana

O FEIO – Últimas apresentações

A ATO Cia.Cênica agrega há 5 anos um grupo de artistas pesquisadores com formação nas artes cênicas e no cinema, cuja concentração de trabalho se fundamenta na experimentação de linguagem cênica contemporânea. Atualmente a Cia. oferece ao público quatro espetáculos: O FEIO de Marius Von Mayenburg com direção de Mirah Laline (Açorianos de Teatro Melhor espetáculo 2012, Melhor Ator Coadjuvante para Paulo Roberto Farias e Troféu RBS Melhor espetáculo Júri Popular), O CASAL PALAVRAKIS de Angélica Liddell com direção de Maurício Casiraghi, #7xBECKETT com direção de Maurício Casiraghi e MAMELOSCHN – Língua mãe de Marianna Salzmann com direção de Mirah Laline(Açorianos de Teatro Melhor Espetáculo de 2015).

A montagem do texto O FEIO, de Marius Von Mayenburg, inaugurou o trabalho da ATO Cia.Cênica em 2012, partindo de uma investigação da linguagem teatral que se vale do trabalho físico dos atores e de elementos grotescos na atuação como efeito de estranhamento e comicidade, através de um recorte estético permeado por influências da Pop Art e por elementos da Performance Art contemporânea.

No primeiro semestre de 2012 a ATO Cia.Cênica firmou parceria com o Instituto Goethe de Porto Alegre, que intermediou a liberação dos direitos autorais e o acesso à tradução oficial do texto O FEIO, assim como apoiou a temporada de estreia do espetáculo no circuito profissional da cidade. Ainda em 2012, o espetáculo recebeu indicações em nove das doze categorias do Prêmio Açorianos de Teatro, tendo sido vencedor nas categorias de Melhor Espetáculo pelo Júri Oficial, Melhor Ator Coadjuvante (ator Paulo Roberto Farias) e recebendo também o Troféu RBS Cultura de Melhor Espetáculo pelo JúriPopular.

Em 2013 a montagem foi contemplada com o Prêmio de Teatro Myriam Muniz na categoria Circulação, sendo apreciado por públicos de quatro estados brasileiros, nas cidades de Salvador (BA), Belo Horizonte (MG), Rio de janeiro (RJ) e São Paulo (SP). Em 2015 o espetáculo foi convidado para participar na mostra competitiva da 43ª edição do Festival Nacional de Teatro – FENATA, na cidade de Ponta Grossa (PR). O FEIO recebeu o prêmio de melhor espetáculo da categoria “Teatro Adulto” e também conquistou os prêmios de melhor direção, para Mirah Laline; sonoplastia, Manu Goulart; iluminação, Lucca Simas e Luciana Tondo; atores coadjuvantes, Paulo Roberto Farias e Marcelo Mertins; e atriz coadjuvante, Danuta Zaghetto.

A empatia com o público, o entusiasmo da crítica e o sucesso de bilheteria vieram a consolidar O FEIO como espetáculo de destaque na cena teatral gaúcha e a ATO Cia.Cênica como um grupo promissor de jovens artistas. As investigações estéticas do grupo se fundamentam em ambientes performativos e teatrais, articulando reflexões acerca das contradições humanas e problemáticas sociais, por meio de uma linguagem cênica arrojada e multimidiática. Nossos espetáculos e serviços culturais estão disponíveis para contratação legendados em português, inglês, espanhol e alemão.

FICHA TÉCNICA

Direção:Mirah Laline.
Elenco:Danuta Zaghetto, Marcelo Mertins, Paulo Roberto Farias e Rossendo Rodrigues.
Figurinos: Marina Kerber.
Iluminação:Lucca Simas e Luciana Tondo.  Operação de luz:Luciana Tondo.
Cenografia:O grupo.
Vídeos:João de Queiróz e Maurício Casiraghi.
Operação de vídeos:Maurício Casiraghi.
Trilha sonora pesquisada:Mirah Laline.
Operação de som:Manu Goulart.
Classificação etária:16 anos Duração: 1h15min

Temporada: 

Local: Sala Álvaro Moreyra
Dias:
de 30 de setembro a 9 de outubro, de sexta a domingo, às 20h.
 Duração:  80 minutos.
Indicação:  14 anos.
 Entrada: inteira R$ 30 e meia RS 15.

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Crédito: Maurício Casiraghi

AOS SÃOS

“Aos Sãos” conta a história do manicômio de Barbacena, que abrigou durante décadas milhares de pacientes de modo desumano. Desempregados, bêbados, mendigos, esposas insatisfeitas, meninas que perdiam a virgindade fora do casamento e outros perturbadores da ordem eram condenados ao exílio e ao abandono. Como não enlouquecer perante tanta injustiça? Como sobreviver vivendo o esquecimento e o não pertencimento social?

Aos sãos! Aos cúmplices da barbárie humana, que condenam os diferentes à margem, às marquises, às calçadas e às praças públicas.

O espetáculo Aos Sãos foi construído de forma que todos os elementos estéticos retratassem a imensidão, fazendo referência ao pátio do Colônia no qual os pacientes passavam os dias abandonados.

O cenário é constituído por uma cortina de juta bege, na frente da rotunda, que remete aos muros do Colônia, representando uma ideia de profundidade e amplitude, na qual os pacientes se tornam pequenos perante a imponência desse lugar. A opção por utilizar um espaço vazio, bem como pouquíssimos objetos em cena, dá-se por duas razões: as dificuldades financeiras de uma montagem independente e a vontade de representar, através de recursos simples, a vastidão do pátio do Colônia, o tédio e o abandono aos quais eram sujeitados os pacientes.

Os figurinos foram baseados nos uniformes utilizados pelos pacientes do Colônia, que podemos visualizar nas imagens do livro Holocausto Brasileiro, de Daniela Arbex e no documentário Em Nome da Razão, de Helvécio Ratton. Eles são feitos de algodão cru, com detalhes em juta e transmitem a ideia de que não pertencem ao paciente. São velhos, grandes e desajustados, justamente pelo fato de serem repassados para um novo paciente, após a morte do paciente que o utilizava anteriormente.  Os figurinos, bem como o cenário, foram desenhados pela diretora Thais Andrade.

A iluminação auxilia no clima inóspito desse ambiente. A baixa temperatura de cor faz alusão às lâmpadas brancas de hospitais e ao frio da cidade de Barbacena. As quebras do texto, onde os atores comunicam-se com o público, são feitas em recortes de luz retangulares, como frestas por onde se espia para dentro do Colônia. A criação e a operação de luz é assinada pelo iluminador Luiz Acosta.

A trilha sonora foi composta exclusivamente para o espetáculo e é executada ao vivo pelo violonista Maithan Knabach. O músico fica ao lado da boca de cena tocando seu violão sete cordas. A trilha, ao compor com o espetáculo, transmite momentos alegres e esperançosos, bem como angústias e tristezas dos personagens.

Todos os elementos estéticos do espetáculo foram pensados e definidos juntamente com a construção da dramaturgia, em sala de ensaio. Existe uma preocupação do grupo com a harmonia dos elementos estéticos para que componham o espetáculo, tanto quanto o texto e os atores compõem e, portanto, são essenciais para formular o clima e o ambiente retratado na peça.

FICHA TÉCNICA

Direção: Thais Andrade.
Atuação: Bruna Casali, Juliana Wolkmer, Luiz Manoel, Rafael Bricoli, Raíza Auler Rolim.
Trilha Sonora: Maithan Timm Knabach.
 Iluminador: Luiz Acosta.
Figurino e Cenografia: Sandra Amorim.
Orientação: Ana Paula Zanandréa.
Fotos: Jéssica Barbosa e Luiz Paulot.

Temporada:

Local: Sala Álvaro Moreyra.
Dias: 5, 12, 19 e 26 de outubro, às 20h.
Duração:  60 minutos.
Indicação:  a partir de 12 anos.
Entrada: franca.

Serão disponibilizadas 45 senhas ao público espontâneo 1h antes do início do espetáculo, o restante dos ingressos serão destinados a escolas e instituições com prévio agendamento.

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Crédito: Luiz Paulot

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