O realismo no teatro

Sutileza, minimalismo, olho. Pequenos movimentos. A verdade interna. Essas são algumas características do teatro realista, um gênero que contrasta diretamente com o exagero do melodrama, mas que denota na maioria das vezes uma dramaturgia bem mais aprofundada.

Para tratar desse gênero, é impossível não mencionar Anton Tchekhov, dramaturgo russo considerado o pai do realismo. Tchekhov revelou ao mundo um estilo interpretativo com cunho majoritariamente social, revelando as agruras e contrastes de um país dividido entre uma classe alta opressora e uma classe operária oprimida.

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Entre suas inúmeras obras-primas destacam-se A Gaivota, escrita em 1865. No foco central os conflitos do jovem escritor Treplev, filho de Arkadina, atriz de renome na Rússia e que pertence à um reduto artístico-aristocrático. Treplev ao contrário de sua mãe,tem uma visão completamente diferente de arte: enquanto ela prioriza os espetáculos de cunho elitizado, o jovem trabalha com temas muito mais controversos como desilusões amorosas e insanidade. Como se não bastasse o fato da elite renegar completamente sua obra, carrega a decepção de seu grande amor, Nina, ser perdidamente apaixonada por Trigorin, seu escritor antagônico e namorado de sua mãe.

Outro grande marco da obra de Tchekhov é O Jardim das Cerejeiras, escrita em 1904. A peça estreou em 17 de janeiro daquele ano dirigida pelo mestre Constantin Stanislavski. Nessa narrativa, o conflito social fica bem mais exacerbado. A personagem central Liúba, aristocrata, se vê obrigada a vender sua tradicional casa, que conta nos fundo com um amplo jardim de cerejeiras, para pagar a hipoteca. Esse conflito serve como costura para evidenciar as diferenças latentes e pulsantes de classe naquela época, onde a Rússia passava por uma de suas maiores crises. O estopim é quando no final a propriedade é vendida ao filho de um ex-servo.

Anton Tchekhov - A Gaivota

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