Cia Rústica vai ocupar o Multipalco do Theatro São Pedro e outros espaços em Porto Alegre

Um dos mais premiados grupos da cena gaúcha, a Cia. Rústica irá promover uma série de atividades para celebrar 14 anos de intensa produção artística. A programação vai começar no dia 24 de abril, terça-feira, com um espetáculo ao ar livre e com entrada franca – Cidade Proibida, às 22h, na Praça Júlio Mesquita, também conhecida como Praça do Gasômetro.

   – Nós comemoramos a insistência na criação em Artes Cênicas. Do projeto Shakespeare até agora, colocamos no palco e na rua 12 espetáculos, além de cabarés, intervenções, oficinas, afetos e ideias. Seguimos com muitos desejos, repertório de invenções e novos projetos, em uma rede móvel de artistas em colaboração – comemora a diretora do grupo Patrícia Fagundes.

   A mostra Cia. Rústica em Movimento também irá ocupar o complexo cultural Multipalco Theatro São Pedro durante quatro dias com a oficina Desvios Urbanos, as peças Muito Palhaço pra Pouco Circo e O Fantástico Circo-Teatro de um Homem Só e um ensaio aberto da nova montagem da trupe, Boca no Mundo. O evento terá ainda Língua Mãe. Mameloschn – Prêmios Açorianos de Espetáculo e Braskem de Atriz para Mirna Spritzer, em 2015 – como montagem convidada.

A CIA. RÚSTICA: 

   Criada em 2004 na capital gaúcha, a Cia. Rústica já conquistou 33 prêmios. O grupo articula um espaço de trabalho entre artistas plurais, desenvolvendo vários projetos que reúnem montagem, investigação, ação pedagógica e social. A companhia busca uma linguagem contemporânea e popular baseada na cumplicidade entre atores e espectadores, que evoca o lúdico, o corpóreo, o humor e o político na criação artística.

   O primeiro projeto foi a trilogia Em Busca de Shakespeare, composto por A Megera Domada (2008), Sonho de uma Noite de Verão (Prêmios Açorianos e Braskem de Espetáculo e Direção, em 2006) e Macbeth (2004). O grupo encenou ainda Clube do Fracasso (Prêmios Açorianos de Dramaturgia e Espetáculo pelo Júri Popular, em 2010), Natalício Cavalo (Prêmio Braskem de Espetáculo, em 2013) e Fala do Silêncio (Prêmio Braskem de Espetáculo e Açorianos de Trilha Sonora, em 2017). O grupo também desenvolve um projeto continuado que investiga a cena na rua e a intervenção urbana, comporto por Desvios em Trânsito (2010), Cidade Proibida (Prêmio Braskem de Espetáculo pelo Júri Popular, em 2015) e Feito Criança (2015).

PROGRAMAÇÃO: 

> CIDADE PROIBIDA

Quando: 24/04, terça-feira, às 22h

Onde: Praça Júlio Mesquita (Rua General Salustiano, s/no. – em frente à Usina do Gasômetro, Centro)

Quanto: Entrada franca.

   Cidade Proibida tem um destino: palcos noturnos a céu aberto marcados pelo esquecimento. Em vez do espaço protegido dos teatros, as entranhas do tecido urbano.

Vencedora do Prêmio Braskem de Espetáculo pelo júri popular em 2015, a montagem leva intervenções cênicas a locais públicos evitados pela população pela potencial ameaça de violência. Com direção de Patrícia Fagundes, cada apresentação tem aproximadamente 70 minutos, reunindo números individuais e coletivos dos artistas envolvidos. A inspiração são formas de convívio já conhecidas, como saraus, serenatas, cabarés artísticos, piqueniques e ceias noturnas. O evento compõe uma estrutura de encontro cênico ao redor de uma longa plataforma, incluindo música, circo, dança e teatro.

O elenco conta com Ander Belotto, Camila Falcão, Di Nardi, Gabriela Chultz, Heinz Limaverde, Laura Backes, Lisandro Bellotto, Mirna Spritzer, Priscilla Colombi, Roberta Alfaya, Rodrigo Shalak o e Suzi Weber. A cenografia é de Rodrigo Shalako.

Cidade Proibida. Foto: Cristiano Prim

> OFICINA DESVIOS URBANOS

Quando: 26 e 27/04, quinta e sexta-feira, das 15h às 18h.

Onde: Sala de oficinas do Multipalco Theatro São Pedro (Praça Marechal Deodoro, s/no. – Centro, Porto Alegre)

Quanto: R$ 50,00

Inscrições pelo e-mail: oficinas@multipalco.com.br

Com  duração de seis horas, a oficina será ministrada pela diretora Patrícia Fagundes e pelos atores Heinz Limaverde, Ander Belotto e Gabriela Chultz. A atividade propõe o desenvolvimento de ações urbanas que repensem a relação ator-espectador e os procedimentos cênicos na rua, buscando inserir a arte no tecido urbano. A idade mínima exigida é de 14 anos. O público-alvo são estudantes e artistas em geral. A atividade será concluída com uma apresentação pelas ruas do centro de Porto Alegre.

> BOCA NO MUNDO – ensaio aberto 

Quando: 26/04, quinta-feira, às 19h30min.

Onde: Sala Qorpo Santo (Av. Paulo da Gama, s/no. – Campus Central da UFRGS, Centro de Porto Alegre)

Quanto: Gratuito.

Distribuição de senhas: apenas 25 senhas serão disponibilizadas a partir das 18h30min.

A palavra em cena expandindo fronteiras de nossas identidades móveis: migrações, referencias biográficas e teóricas, poesia e política. As raízes de um brasileiro descendente de imigrantes, andanças do presente e desejos de futuro. Quem fomos, quem somos e quem podemos ser. Abrir a boca e morder o mundo.

Com estreia prevista para junho na Casa de Teatro de Porto Alegre, este solo de Carlos Mödinger tem direção de Patrícia Fagundes. Foi desenvolvido a partir da pesquisa de Doutorado do ator no Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da UFRGS com orientação de Mirna Spritzer.

> MUITO PALHAÇO PRA POUCO CIRCO – espetáculo infantil. 
Quando: 28 e 29/04, sábado e domingo, às 15h.

Onde: Sala de Música do Multipalco Theatro São Pedro (Praça Marechal Deodoro, s/no. – Centro, Porto Alegre)

Quanto: R$ 30,00  (50% de desconto para estudantes, idosos e sócios da AATSP)

   Muito Palhaço pra Pouco Circo nasce do universo de jogo e possibilidades de aventuras, trazendo à cena uma forma simples e poética de revivermos os antigos picadeiros de circo. O imaginário do circo está presente em nossas memórias de infância e também no que somos hoje, nos conectando com um mundo de magia e sonho, no qual o palhaço é um personagem central.

No espetáculo, Heinz Limaverde é o palhaço Roe Roe, que tenta fazer de tudo para agradar sua plateia. O palhaço tropeça, erra, pisa na bola. Mas não deixa de tentar e acreditar que o mundo pode ser um lugar de encontro e encantamento. A montagem propõe uma relação de proximidade com o público, transitando entre gags clássicas, números musicais, improvisos, interatividade e as habilidades do artista de rua para entreter e dialogar com os espectadores. Um espetáculo para todas as idades cheio de encanto e brincadeira.

> LÍNGUA MÃE. MAMELOSCHN (espetáculo convidado)

QUANDO: 28/04, sábado, às 21h.

ONDE: Palco principal do Theatro São Pedro (Praça Marechal Deodoro, s/no. – Centro, Porto Alegre)

QUANTO: R$ 50,00 (plateia), R$ 40,00 (camarote central), R$ 30,00 (camarote lateral) e R$ 20,00 (galerias) – 50% de desconto para estudantes, idosos e sócios da AATSP.

Uma história sobre mulheres, mulheres na história. Três gerações de personagens femininas, três gerações de atrizes em cena. A música como voz na presença de um personagem masculino. O filho, o irmão, o neto, o homem. Pertencimento, memória, resistência, feminismo, imigrações, ideologia. Amor e ódio. Como falar nossa língua mãe?

Dirigida por Mirah Laline, a montagem para o texto da dramaturga alemã Mariana Salszmann venceu os Prêmios Açorianos de Melhor Espetáculo, em 2015, e Braskem de Melhor Atriz (Mirna Spritzer). Completam o elenco, Ida Celina, Valquíria Cardoso e Philipe Philippsen.

> O FANTÁSTICO CIRCO-TEATRO DE UM HOMEM SÓ

QUANDO:  29/04, domingo, às 18h.

ONDE: Palco principal do Theatro São Pedro (Praça Marechal Deodoro, s/no. – Centro, Porto Alegre)

QUANTO: R$ 50,00 (plateia), R$ 40,00 (camarote central), R$ 30,00 (camarote lateral) e R$ 20,00 (galerias) – 50% de desconto para estudantes, idosos, artistas e sócios da AATSP.

O Fantástico Circo-Teatro de Um Homem Só Foto: Kiran Federico Léon

   O mágico, a mulher-barbada, o palhaço, a vedete, o bufão e o vagabundo:  personagens do imaginário circense ganham vida na pele de Heinz Limaverde em O Fantástico Circo-Teatro de um Homem Só. As referências para a montagem foram garimpadas nas tradições das velhas lonas de interior, combinadas a importantes questões da arte contemporânea como a cena em primeira pessoa, a memória como matéria de criação, a experiência de proximidade com o espectador.

   Com direção de Patrícia Fagundes, a peça lança um olhar para os pequenos circos brasileiros como importante fonte de teatralidade e resistência cultural, muito além dos meios de comunicação de massa. A montagem também traz referências a personagens reais, como o próprio ator, o palhaço Carequinha, a atriz de teatro de revista gaúcha Eloína Ferraz e a mulher barbada mexicana Júlia Pastrana, que viveu no México no século XIX.

   Em cena, o ator canta ao vivo – com trilha sonora e preparação vocal assinadas dor Simone Rasslan – e as coreografias são assinadas por Cibele Sastre. A indumentária  é assinada pelo premiado figurinista Daniel Lion.

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