Vanessa Jackson brinda Porto Alegre com uma noite repleta de sucessos em seu Tributo a Whitney Houston

Whitney Houston não é apenas conhecida como uma figura emblemática da música, por sua potência vocal ou por ter protagonizado e criado a trilha sonora de filme mais vendida até então (O Guarda Costas, superada apenas por Titanic na categoria soundtrack), como também por ter trazido a público sua história pessoal e, paralelamente, sua história com drogas – que, em seus últimos anos de vida, transitou entre o fundo do poço, clínicas e períodos limpos, ciclicamente. Com suas constantes crises pessoais e emocionais, além do uso abusivo de substâncias, além de supostas “aposentadorias anunciadas”, a cantora passou seus últimos anos de vida em muito mais evidência por sua vida pessoal, permitindo que tantos se desligassem do que a levou a ser chamada de “The Voice” (A Voz).

E é com o intuito de não deixar seu legado e seu talento em evidência que se mostra necessário para Vanessa Jackson este tributo. E a cantora e atriz não deixa nada a desejar. Com uma seleção rica em sucessos, a incrivelmente carismática Vanessa atinge timbres muito similares ao de Whitney, e tem a capacidade vocal de surpreender e arrepiar até os mais leigos. Aliás, a primeira vencedora do Fama, da Rede Globo, demonstra uma sensibilidade para com a platéia, bem como seu bom humor, ao longo da apresentação, demonstrando até uma similaridade com The Voice, a religiosidade, que sempre permeava seus shows – e é nitidamente importante para a front girl de deu tributo.

Créditos: Tania Meinerz

Com um palco muito clean e simples, onde a banda só fica em total evidência em seus solos, durante as trocas de figurino, Vanessa Jackson tem total desenvoltura com o espaço, ocasionalmente dividido com dançarinos. Fica muito evidente a divisão de fases da carreira com a caracterização dos cabelos, coisa que nitidamente nem tentaram fazer (salvo algumas poucas referências na estrutura dos vestidos, como os detalhes enfatizando os braços no vestido preto), certamente pela evidente diferença física das cantoras. Ainda assim, a escolha do figurino de abertura é impecável, colocando Vanessa em destaque tanto da banda quanto dos dançarinos. O vestido de fechamento é muito tocante para os fãs, por realmente trazer a cena do Bodyguard para o público – e com direito a capa, apesar de muitos se lembrarem melhor do capacete que Whitney usa no filme.

O desenho de luz cria a orla de penumbra de fundo de palco, dando um aspecto intimista ao show, mas ao mesmo tempo, escondendo os figurinos mais escuros da platéia posicionada mais ao fundo. A luz também atrapalha a visão dos dançarinos, que ficam realmente em destaque quando colocam seu visual anos 80 – e, fora esse, têm figurinos muito pouco cênicos, e uma coreografia que envolve muitas corridas e chão (muitas vezes tendo essa parte escondida de parte do público, por se passar por trás das caixas de retorno). A coreografia dos dançarinos só faz algum sentido para quem conhece a coreografia do clipe de “How Will I Know”, e só se mostram realmente necessários quando no momento do vestido azul, colaboram na modificação do figurino de Vanessa Jackson.

Durante “I Will Always Love You”. Arquivo pessoal.

Apesar das críticas à arte do espetáculo, nada tem para se questionar dos artistas. A cantora é incrível, surpreende e arranca elogios constantes da platéia, mas embasbaca e deixa seu público em silêncio absoluto quando começa o grande sucesso “I Will Always Love You”, cantada logo após o pedido de casamento (no palco) de um casal que estava na primeira fila. Podemos dizer, inclusive, que sua interação com o público é mais intensa e sensível que a da própria Whitney.

Os músicos não cometem nenhum erro, e seguram muito bem as pausas de troca de figurino com seus solos, podendo inclusive se destacar que muitos parecem fazê-lo de forma improvisada, o que cria um clima mais show e muito interessante para quem está assistindo.

Assistir a “Uma Saudação a Whitney Houston” é garantia de cantar e, por que não, rir um pouco. Diversão garantida, perceptível desde que Vanessa Jackson entona o primeiro acorde de “Greatest Love of All”, que dá um arrepio até nos não tão fãs da The Voice.

Confira alguns momentos captados por Tania Meinerz para O Café.

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