O que é rock, bebê?

Não é sempre que surge  a oportunidade de escrever para expor ideias a respeito de um assunto não relacionado ao Hangar ou guitarra especificamente. Mas na verdade… Bem, o tema envolve tudo isso. Afinal, o Rock é uma miscelânea de tudo, e hoje tem tanta coisa aí se dizendo Rock ou Rocker que dá pra confundir até os mais afinados…

 O tio Martinez entende… Afinal gravei meu primeiro álbum em 1986, e o que fazíamos era muito pior que rock. Foi o único jeito que uns garotos que não sabiam tocar encontraram para fazer música: inventar “algo” que eles conseguissem tocar. Músicas tão ruins quanto eles, e acho que os únicos pais capazes de gostar daquilo são os caras que gostaram e agora são pais. Esse álbum foi este ano incluído na lista da revista Roadie Crew dos 60 mais importantes da história do metal nacional. Este e o TROYC, do Hangar. Rock’n’Roll!!

banda-hangar

Hangar. Foto divulgação.

Sem ofender ninguém, muito menos os mortos ou aqueles que aposentaram o sonho por um domingo na frente do Faustão, o que era rock quando Elvis quebrou e requebrou tudo da cintura pra cima e para baixo ainda é rock? Ou rock é colonialismo cultural imperialista dos United States of Hollywwod? OU seria a Cultura do Terceiro Mundo, vomitando a injustiça social na linguagem universal do dominador cultural que reina em Gaia? É Rocky I, II, III ou IV? #Euqueroéróquebebê.

Sim, o rock veio do Blues. E o blues é música oriental e modal, fundida com a tradição ocidental, tonal. Tudo isso no caldeirão do norte da América. Escravos e proprietários de gente tentando amenizar a loucura que acontecia naquela terra dos Sioux, Comanches, Apaches e Moicanos (que, por sinal também tem, ou tinham sua música. E sua terra). Blues: pretos, brancos e indígenas dançando e cantando no gueto: um pouco de humanidade e Jack Daniels de vez em quando na senzala do Tio Sam.

E bem depois num belo dia os pais dos Beatles ouviram “aquela gritaria daqueles cabeludos”. Começaram os shows em estádios de futebol, e não se ouvia nada da gritaria da banda de Liverpool. Só a gritaria… Do público! Futebol também é Rock’n’Roll? Rock’n’Roll, mulher e futebol, meu deus como isso é bom… E hoje Paul, Ringo e Yoko são tios ricos e bonzinhos como sempre foram, e aquilo tuuuudo que eles fizeram e fazem continua sendo tocado por orquestras em arranjos de elevador para a Antena Um, de tão fofo e meigo que é esse repertório, dito Rock’n’Roll.

Menos a Tia Yoko, claro. Ela é dona da marca Yoki- mas não esquartejada.

Revolutions? Álbum Branco ou Black Album? Jaqueta de couro? AC/DC? Judas Priest? Rita Lee? Malu Magalhães? Rolling Stones? Black Sabbath? Sex Pistols? Yes? Iron Maiden? Fermo? Nirvana? Easy Rider? Motorhead? Harley Davidson? Jovem Guarda? Coca-Cola? Cerveja? Água mineral? Bob Marley? Lady Gaga? Legião? Cabeludo? Careca ? Moicano? Topete? Michael Jackson com Van Halen? Aerosmith com RUN DMC? Public Enemy com Anthrax? Beastie Boys com Kerry King? Pode ter teclado ou não? Digital ou analógico? Tenacious D? Schoenberg? E James Brown, é Funk ainda? Ou o funk é a cultura musical de quem vende o que o viciado financia no morro a custa de bala de fuzil? Tropa de Elite é um dos filmes mais Rock’n’Roll do mundo atual. Pensa, galera, ação e reação. A culpa da droga é TODA do usuário. Só se vende algo porque alguém compra. Você compra bala de cocô de Poodle? Talvez, se der barato, então…

A vida é feita de escolhas. O Rock é livre arbítrio acima de tudo. Mas existem consequências, sempre, para cada escolha. Queira ou não. A culpa não é minha, mas a terra gira.
E segundo o Roqueiro Freud, na vida terrestre como bichos humanos psicológicos apenas buscamos o prazer e evitamos a dor. Mais nada, talvez alguma coisa ligada a mãe… Ou charutos e guitarras (!?). E a vida giraria em torno disso, de decidir com inteligência ter prazer com o que é bom pra nós ou chafurdar alegremente no barro primordial dos prazeres básicos do aqui agora, do carnaval da Bahia terrestre de cada um.

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