Unhas, identidade do poder

Desde os anos 70, as unhas têm angariado, cada vez mais, respaldo social. Inicialmente, tratavam-se de adornos, ou mesmo de identificação com o grupo. Mas a manutenção (ou não) delas tem assumido papéis ascendentes na moda e no mercado, abrindo portas para um debate.

Unhas caviar, uma tendência super “lollipop”

O Brasil é o segundo maior consumidor de esmaltes do mundo. Só em 2011, o mercado nacional de esmaltes gerou 200 milhões, sem contar nos serviços agregados a estes. Esmalte, hoje, é tanto tendência quanto merchandising; Por exemplo, a Hits está lançando sua nova cartela de cores inspiradas no verão, a Risqué está relançando suas cores mais antigas, a Colorama aposta em cores que acompanham as tendências de moda e a Ana Hickman tem sua coleção com nomes vinculados a moda e backstage, que está sendo bem divulgada em seu reality show.

Com isso, não nos referimos unicamente a manicures e pedicures, mas todos os estudos que envolvem o produto, como pesquisa de cor e tendências, o design de rótulos e frascos, o marketing que estuda os nomes e a tecnologia do produto, que envolve, inclusive, as tendências e as novidades que vemos hoje.

Hoje, se você for a um salão para fazer as unhas, terá um leque de opções do que fazer que não se limita, unicamente, a uma escolha simples, como qual cor usar. Tem de escolher se quer fosco, metálico, cintilante, cremoso, furta cor… Pelúcia, caviar, lisa… Francesinha (moderna ou não), adornada, com carimbo… Isso tudo, é claro, sem pensar se quer ela quadrada, oval, pontiaguda, curta, longa… A sequencia parece infinita!

Unhas de pelúcia

A nova “francesinha”, estilizada e ultra fashion

Adesivos e carimbos são tendências que dão cor ao verão

Unhas com pedrarias, acompanhando as tendências do verão

Mas, afinal, para quê tudo isso?

Unhas longas são uma marca feminina, ainda mais quando bem pintadas. Qualquer referência a uma femme fatale engloba longas unhas vermelhas, e qualquer referência a uma mulher fraca e/ou mal cuidada vem com unhas curtas e claras, sempre mal feitas (ou não tratadas). Unhas roídas remetem a ansiedade, que hoje não é um adjetivo visto com bons olhos. As unhas assumiram um papel de destaque na moda, no mercado e na semiótica do visual, principalmente feminino.

Aliás, quantas vezes você já abdicou da sandália por não estar com as unhas feitas?

Se há, ainda, um elemento de poder, riqueza e imposição expresso na moda, podemos apostar nas unhas como a expressão do momento. Afinal, assim como os gastos mensais que custa mantê-las, elas inibem a execução de diversos trabalhos, desde abrir um vidro (do próprio esmalte, em alguns casos) até pintar coisas ou transportar. Quer coisa mais difícil que lavar louça (sem luvas) e manter as unhas sempre em dia?

Parece uma brincadeira?

Da mesma forma que os rufos outrora, que cresceram e desenvolveram-se de acordo com a classe e o status da nobreza, as unhas podem estar assumindo um posto semelhante, já que hoje a importância das grandes marcas está sendo abalada por produtos semelhantes visualmente e/ou produtos não tão tendenciosos e de boa qualidade (que acabam durando por mais tempo para as consumidoras mais clássicas). Em tempos de transição de valores e de mercado, um elemento mais simples acaba tomando a forma de superioridade de status social, e deixando de lado a etiqueta, que para muitos, inclusive, já virou uma coisa demodê.

 

Inclusive, esmaltes não estão entre oss produtos de beleza que estão mantendo vivas as grandes marcas?

Comentários

comentarios

Related Posts