Tendências de Inverno I – O grunge revisitado

O inverno passado foi marcado pelo maxi: maxi brincos, maxi colares (e, pasmem, teve gente misturando os dois). Não que isso tenha ficado no passado, até porque as coisas se reinventaram e assumiram formatos mais pops no verão – e que certamente permanecerão como tendência no inverno -, mas ao mesmo tempo que se criou essa imagem mais ostentada e pomposa, é bastante normal se criar a imagem extremamente oposta como tendência, até porque muita gente não aguenta mais ver esse mesmo tipo de visual.

Se o ano passado já nos trouxe as comfort clothes, que seguem super em alta (mesmo repaginadas), as marcas jovens já apontaram que a imagem mais buscada hoje nos remete aos anos 90, ao rock e ao grunge. Ou seja, tirem seus gorros do armário e vamos apostar em sobreposição de (muitas!) peças.

O grunge originalmente surgiu como resposta ao glam metal, que foi provavelmente a primeira fase do rock a ser chamada com louvor de ‘poser’. Atualmente, as tendências de looks nos levam para superproduções, desde duas ou três meias calças sobrepostas com uma bermudinha em cima (alguém por aí imagina o trabalho que é isso?), além de peças glamourizadas, com muitos brilhos, rebites  e pedrarias.

O visual grunge, além da pegada mais desleixada e desconexa, ainda mescla-se bem com a idéia de peças confortáveis, soltas e desligadas do famoso culto ao corpo – mesmo isso não sendo uma regra. Basicamente, o uso de calça larga e camisa bem solta (de flanela ou lã) tem sua versão feminina com uma blusinha básica por baixo, onde a camisa assume o papel de um casaco. Aliás, mais e mais camisas são sempre bem vindas, e em algumas regiões isso é mais que o necessário para enfrentar a estação mais fria do ano.

A sobreposição de peças andava bem esquecida nas últimas estações, poucas vezes excedendo-se a um casaco visível (e a famigerada linha vertical visual criada pela terceira peça, que alonga e afina a silhueta). A imagem da múltipla sobreposição ainda permeia entre grupos de skate e alguns outros esportes – radicais, em geral -, que precisam dessa possibilidade de se despir conforme a prática, no conhecido “efeito cebola”.

Nos desfiles de moda jovem desta mid season, a tendência se apresenta, num primeiro momento, com peças de poucas cores, com aposta principal nos pretos, brancos e cinzas, camiseta justa para meninas, podendo ser baby look e barriga de fora, calça larga de flanela ou boyfriend de tecido (para os meninos, mais calças de tecido ou sarja, skater), camisa de flanela (mix de texturas quase obrigatório), peça extra amarrada na cintura (criando volumes diferenciados, e habitualmente uma estampa extra) . O gorro ressurge como na época grunge, mesmo, bem amoldado na cabeça ou longo caidinho – fique longe do gorro alto tipo smurf!

Esse visual mais ultra casual também lançou uma tendência para as meninas que não têm tempo ou dinheiro (ou soooofrem!), que representa todos os ideais feministas do “não sou obrigada”: a sobrancelha desgrenhada. Se, até pouco tempo atrás, fazer a sobrancelha e valorizar o olhar com makes incríveis era o básico, a cara lavada com batom escuro e a sobrancelha desalinhada agora também é tendência. E você, cara leitora (e você, caro leitor, também!), como não é obrigada a nada, essa talvez seja a melhor tendência jovem do inverno, que dá a liberdade de se expressar da forma que tiver mais a ver com você.

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