Quando a moda invade a política (ou seria ao contrário?)

geraldo-alckmin-sophia-moda-politica-blog-3A revista Forum noticiou que a filha de Geraldo Alckmin, Sophia Alckmin, tem mantido partes do blog para o qual escreve, Bettys, com mão de obra do Palácio dos Bandeirantes, sede do poder executivo de São Paulo. Conforme a fonte, ela usaria a estrutura do governo para ensaios de moda.

Veja a notícia aqui. 

Não podemos nos desfazer da ideia de que a moda anda por caminhos muito turbulentos hoje em dia, além de muito contraditórios (visualmente). Enquanto a filha de Alckmin ostenta jóias, roupas de marca, acessórios caríssimos, etc, as tendências em lojas mais populares são hipongas, visando a simplicidade. E avaliando moda como reflexo social, ambas estão corretas.

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O que segue muito difícil de compreender, partindo do princípio da veracidade dessa notícia (Revista Forum é confiável), é a falta de discernimento e o descaso com o dinheiro público. Ter acesso a um estabelecimento grandioso por ter costas quentes já é bastante feio, mas desconsiderar os gastos de quem mantém o patrimônio mostra a amoralidade que está desenhando-se por trás dos novos empreendimentos, e isso obviamente não exclui a moda.

Sao Paulo, Brasil - 30/10/2013 - Detalhe do desfile de Jo‹o Pimenta durante o SPFW  - Inverno 2014. Foto : Marcelo Soubhia/ FOTOSITE

Sao Paulo, Brasil – 30/10/2013 – Detalhe do desfile de Jo‹o Pimenta durante o SPFW – Inverno 2014. Foto : Marcelo Soubhia/ FOTOSITE

Quando se pensa nas novas vertentes de moda, que está se desfocando de conceito e cultura e virando comércio de patrocínio de blogs e programas de TV, a prioridade é arranjar um conteúdo visual que chame mais pessoas, com tendências bem indexadas no Google. AMÉM não somos desses, mas isso cria, ao mesmo tempo, uma necessidade de destaque e uma competição pelo público, que cada vez mais vem se restringindo a jovens que não querem ler. Ou seja, mais uma etapa para a banalização da moda – que tinha se iniciado com a eliminação do tratamento de “coleção” para ser substituído por “produtos”.

Criando uma ironia, não podemos deixar de traçar um paralelo entre o cenário de prostituição da moda e da política. Não, caro leitor, não falo do tal book rosa, mas de que o termo “moda” está sobrevivendo porque está se desfocando de seu significado original, que é o que associa a moda a arte – a ideia do ser, não do comércio que isso pode envolver. A partir do momento em que temos de pegar marcas que trabalham produtos para subsidiar programas de moda em geral, estamos aceitando que aquele produto é “moda”.

Há quanto já esquecemos o real significado de “política”, e chamamos o que temos hoje assim?

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