A polêmica da cintura fina

Não é de hoje que a cintura fina é um ideal feminino. Apesar de fases de mulheres bombadas (e barriga em tanquinho não permite que a cintura se afine) e das gerações que cresceram com calças jeans saint-tropez, uma cintura marcada nunca foi mal quista, e sim, muito almejada.

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Nas últimas semanas, algumas (sub)celebridades apareceram com uma cintura exageradamente fina e marcada, fazendo alguns veículos irem falar com médicos e especialistas sobre o assunto. Como se não soubéssemos, todos os profissionais posicionaram-se contra, falando desde o problema da perda de peso exagerada até o excesso de lipo aspirações na região, que incapacita o corpo a sustentar o peso total e podendo gerar problemas significativos.

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Alguns mais extremistas ainda falaram dos problemas que o corpo feminino pode ter com as baixas taxas de gordura no organismo, podendo chegar a menorreia e, se persistir isso, a menopausa precoce.

corset-corselet-tight lacing- pin up- can can- cintura fina (5)Não é de hoje que se tem um dilema com balança, gordura e peso no universo feminino, mas podemos ainda fazer um apanhado das polêmicas que perambularam, gerando mitos e alguns absurdos no imaginário popular. Poderíamos falar da Gisele Bündchen, que foi consagrada como übber model também por sua cintura, que a concedeu formas muito femininas num ramo que, até então, vinha sem formas e sem personalidade, tipicamente ‘modelos cabide; mas sem dúvida a história mais insana difundida por aí foi a de que Thalia (sim, a eterna Maria do Bairro) teria arrancado costelas para ficar com aquela cintura. Alguém aí perdeu essa?

Certas coisas abrem espaço para se pensar que as pessoas que escrevem essas supostas polêmicas deveriam estar escrevendo notas fúnebres em algum jornal de bairro, pois mostra que não estão indo atrás de todas as possibilidades que existem por aí, mas já saem fazendo julgamentos sobre as circunstâncias. Claro, existe a questão genética que possibilita a cintura fina, mas também tem muitas soluções para quem a almeja e não tem tal possibilidade. Aliás, soluções é o que não falta, e a mais “comum” já está em voga há alguns anos, inclusive com uma brasileira como referência mundial, a Madame Sher, e que tem muitas ‘famosas’ (sic) como fãs assumidas, como Fernanda Young.

O corset de apertamento, ou tight lacing, tem uma existência longa, que talvez você se lembre de ser bem marcado em filmes de época, como “…E o vento levou” ou “Moulin Rouge”, onde ele é frequentemente enfatizado. Na era vitoriana, toda senhora tinha uma ama ou uma mucama para apertar seu espartilho de barbatanas mais horizontais, que serviam para comprimir e dar mais cintura.

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No início do século passado, as (poucas) publicações europeias sobre fetiche tinham essencialmente o foco das cartas de leitores em fantasias criadas sobre a imagem do apertamento como punição, e a figura da mucama foi substituída no imaginário pela figura de uma disciplinadora. Habitualmente, nesses relatos fantasiosos, a responsável pelas amarrações era uma mulher.

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Paralelamente, o afinamento da cintura em muitos países mostrou-se desde o final da infância para meninas, por imposição familiar na maioria dos casos.

Depois nos deparamos com as fantasiosas francesas, dançarinas de Can Can, que influenciaram o imaginário e inclusive as referências masculinas sobre o físico feminino por décadas – se não até hoje.

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Posteriormente, o tight lacing foi assumido pelo público masculino, e há livros que fazem referência à predileção de Hitler pelas amarras, obviamente sem confirmação. Nos anos 90, na Europa, ainda se via claramente homens viciados nas amarrações.

A figura das pin up’s (e das novas pin up’s) é visivelmente enfatizada pela cintura, e a gran master do burlesco atual se diz devota do tight lacing – e não tirou costela alguma.

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Parece que estamos numa época de erros. Ser gordinha é errado, ser magra é coloquialmente sintoma de anorexia ou bulimia; ter barriga medindo mais que 88 cm é prejudicial para o coração, mas ter cintura de 60 cm indica que se tirou partes do corpo ou se fez algum pacto com o tinhoso. Modificações corporais como tatuagem são bem aceitas por alguns, mas modificação de proporções são agressivas demais para o organismo . Aliás, a ode à cintura fina já virou um ícone machista para algumas extremistas. Pelo visto, gostar de novas sensações ou de uma estética específica está virando uma agressão moral.

Então vamos ver ela, que tirou uma costela mas conseguiu manter um filho na (micro) barriguinha, e que fez um clipe todo animadinho… por ela, pela mídia, por seus critérios, ou sabe-se por que mais pode ter sido… =P

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