Os volumes de Giambattista Valli

Poucas coleções realmente têm (me) chamado a atenção, mas sem dúvida ver a coleção de Giambattista Valli é para refrescar os ânimos no que se trata do pensamento do mercado da moda. Enfim, sim, estamos falando de um estilista que está criando moda, e não o produto ultra comercial, inquestionável e facilmente consumível. A coleção já circulou as grandes fashion weeks, mas depois de tanto se questionar os atributos do produto, produtor e estilista  hoje em dia, é importante se ter conteúdo para lembrar porque amamos e respeitamos a moda.

Por isso, fiz uma coletânea dos “melhores momentos” da coleção que está em vigor agora lá pelo hemisfério norte, focando no mais atrativo que ele trouxe para as passarelas: os volumes.

 

Vale a pena prestar a atenção não apenas no trabalho do tecido (e considere que os vestidos de tule são inacreditáveis) como nas estampas: até a variação de linhas traz uma criação de novos volumes e proporções ao corpo. Até em peças justas é possível ver um avantajamento da silhueta das modelos (margérrimas!!!), idealizando um pouco mais um corpo feminino de curvas.

E como não poderia faltar, ainda mais numa coleção lúdica como essa (ou seria dos sonhos?), o pesar da história, com golas e efeitos que dão nítida referência aos rufos do barroco alemão (principalmente). Até pela seleção de imagens por aqui, é possível não só se notar a inspiração, como também o ênfase e as pompas que ele trouxe para sua visão feminina.

Em tempos em que se questiona a moda e facilmente (e fragilmente) se coloca o estilista num segundo plano, onde ele é um criador de peças que atendem uma demanda em geral – quando sua função seria traçar um estilo e uma identidade, coisa há tempos deixada de lado por conta das questões comerciais já debatidas anteriormente-, e que tanto se debate as questões de inovação, gastos e crises, que igualmente limitam a criatividade, Giambattista Valli mostra que a alta costura ainda tem seu público, e mesmo o prêt-à-porter precisa ainda se mostrar com um propósito além (unicamente) do comercial. A troca da identidade da moda e de seus estilistas por produtos que atendam uma demanda elimina a “moda” do nicho artístico, e toda a criação em cima de um conceito precisa ser reconhecida e valorizada como um agregador de valor social. Enfim, dá um certo frescor ver que ainda temos muita coisa nova ressurgindo, não marcas visando unicamente se manterem no mercado. Podemos pensar que tem a questão de ser marca própria, não marca comprada, mas daí é um outro pensamento…

 

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