Os novos conceitos da moda – ou o que seria a moda hoje em dia

Muito se fala sobre o conceito “moda”. Aqui mesmo, debatemos a questão identidade, conceito, imagem/autoimagem, semiótica, produto e até mesmo a ideia da extinção da moda (aquela que, se já não é, está quase). Se historicamente temos todo um desenho do que administra um pilar principal do que outrora constituia a moda, qual seria a definição que assume esse alicerce hoje?

Não é necessário andar muito. Na verdade, nem se precisa mais sair de casa para se ser bombardeado por tendências e produtos, lindos ou nem tanto, modismos ou reaproveitáveis na próxima estação. Igualmente, basta um pouco de interesse, que chegamos a moda sustentável, que um dia foi essencialmente a produção de peças com reaproveitamento de coisas já sucateadas (por exemplo, tecidos de garrafa pet, mochilas de lona de caminhão, etc…), e hoje se chega ao reaproveitamento, ao brechó, passando por alguns elementos de customização e artesanatos em geral como acréscimos. Esse parece ser essencialmente o mercado atual, afinal, a estrutura está impossível de se manter.

 

No inverno (rigoroso) que chegou ao país, qualquer pessoa mais consciente (e nós somos!!!) não quer saber de pele de verdade. E a pele artificial (ou a pelúcia em geral) produzida aqui não compensa em valor ou qualidade, se comparada ao que vem de fora. O fleece, que conquistou a todos por ser quentinho, levinho (e fácil de lavar em casa, não desbota, não penica…) surgiu com preços nas alturas (talvez esse nome só tenha sido usado de verdade no Shoptime, no lançamento), e agora tem preço de opção para fazer doações. E a isso damos um nome muito simples: China.

Não adianta mais uma grande marca inovar em alguma peça ou tendência quando se é copiado em questão de minutos. Sim, em menos de uma semana a cópia chinesa está no mercado por menos de 10% do valor de um Chanel original (por exemplo), fora as marcas que produzem lá pelas terras asiáticas e têm seus produtos vazados sem a etiqueta original.

O sistema de produção chinês é simples: a venda mínima para produção lá é 10 mil peças de mesmo produto (tamanho variando conforme a fábrica, mas algumas fábricas também têm o pedido mínimo de 50 mil peças). Nesse número, não cabe variação de cores, nem mesmo inversões. Ou seja, isso dá uma ampla justificativa do porquê de se achar tantas coisas iguais em tantas lojas, multimarcas ou não (afinal, a troca de etiquetas é uma prática constante e padrão de marcas de pequeno, médio e grande porte). Com essa ode única ao produto, onde está a função do estilista no mercado?

As fábricas estão com dificuldades de se manter com produtos tendo de competir com importadoras, até mesmo o polo de produção do Brasil, o Ceará. Este tem seus trunfos, mas igualmente suas limitações, não produzindo, por exemplo, produtos capazes de atender ao frio da região sul, ou até mesmo (em alguns casos) a exclusividade dos produtos.

Essencialmente, as grandes marcas são fundamentais para o mundo da moda, mas já não sustentam o mercado de moda com seus produtos de indumentária, apostando cada vez mais em linhas de beleza (e nos conceitos que conseguem trazer por trás destas), que, na prática, são o que sustentam as marcas.

No Brasil, cada vez vemos menos nomes conhecidos na moda fazendo algo inovador, até porque estamos diante de um consumidor careta, com quase (ou nenhum) conceito, que consome tendência como se fosse moda. A esse, temos não só vitrines iguais, mas produtos novos iguais, para garantir a venda para quem não quer se destoar em meio a massa. E essa essência não era contra o que ia outrora a postura principal da moda?

Sendo assim, se determinarmos as cópias chinesas (e leia aqui as cópias baratas unicamente reproduzidas com intuito de comércio, não com todas as questões que abrangem a criação de um produto assinado) como plágios, quaisquer produtos que permeiem esse meio passam a não ser moda?

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