Moda e Feminismo I – Confort Clothes

As novas coleções estão brotando nas lojas, e não podemos nos distanciar da essência por trás delas: o conforto.

Peças amplas que garantem a despreocupação com o "cuidado" do look. Foto: La Boniterie

Peças amplas que garantem a despreocupação com o “cuidado” do look. Foto: La Boniterie

Se há algumas coleções tentam (e em alguns estados conseguem) inserir como peça queridinha das mulheres as calças pijama, que inicialmente apareceu em tecido plano – mas assumiu seu máximo conforto com o uso de malha, desde tecelagem até viscolycra-, bem como blusas de imagem mais quadrada, não marcando o corpo, agora essa combinação se expandiu para quase todas as peças do vestuário, criando o que chamamos de confort clothes (roupas confortáveis).

O que poucas pessoas param para pensar é na origem dessa nova formatação do corpo feminino, que vem de décadas de roupas que valorizam a silhueta e/ou jogos de volumes, do tipo valorização de áreas ou “esconder” outras. Confort clothes não evidenciam ou escondem nada, pois o foco é unicamente cobrir-se, esquentar-se… Ou seja, voltar aos princípios das roupas. Você consegue ver o que move o mercado a esse eixo?

Peças super amplas, eliminando as formas. Foto: Colcci

Peças super amplas, eliminando as formas. Fotos: Colcci

Estamos em tempos de ativismos e mudança de pensamentos. Isso se reflete em todos os eixos de nossa sociedade, e há uma determinação de que certas posturas devem ser (ou não) assumidas. Olhe por volta: quantas pessoas você vê que realmente falam de política desde sempre? Há uma grande massa que optou por posicionar-se unicamente por haver uma grande movimentação social em função disso.

Claro, política é um assunto muito pontual, mas questões como o feminismo têm de ser debatidas. Afinal, diferente do que algumas (e alguns) pensam, feminismo não trata-se de uma supremacia feminina – isso seria femismo, conforme alguns dicionários -, mas de direitos iguais para ambos os sexos. A sensualidade ou mesmo a feminilidade de uma mulher não deveria ser critério para contratação, assédios ou qualquer abuso de poder pelo simples fato de ser uma “fêmea”, mais frágil que qualquer pessoa que a oprima.

E quando falamos de feminismo, não estamos tratando de uma ondinha que vai morrer com qualquer objetivo banal atingido (como tudo parece se encaminhar com as questões políticas – mas torçamos para que não!). Trata-se de uma ação que podemos chamar de histórica, onde a meta é romper os antigos padrões sociais, tanto de comportamento quanto de discriminação num todo (mulheres têm maior grau de educação, mas ganham cerca de 30% menos; cargos elevados são pouco ocupados por mulheres, e as promoções são menos oferecidas a mulheres). Mas, é claro, isso é uma transição lenta e que levará gerações para se modificar, tanto entre homens quanto entre mulheres (mas honestamente me parece menor as gritarias de pedreiros na rua quando mulheres passam…).

Peças soltas e quase assexuadas para homens e mulheres. Foto: Colcci

Peças soltas e quase assexuadas para homens e mulheres. Fotos: Colcci

Voltando às questões de roupas, muitas justificativas de posturas machistas vêm com a questão do corpo. Há tempos o Esquadrão da Moda e outros programas “educativos” na área de postura indicam as roupas para trabalhar, focando em: ou o corpo feminino pode ser distrativo para os homens trabalhando, ou a mulher terá de interagir com muitos homens (e, por isso, corre maior risco de assédio). Ou seja, culpando a vítima.

Para fugir desse velho padrão (muito ultrapassado, por favor!!!!), nada mais simples que modificar a moda para atingir o público em geral de uma forma muito mais simples.

Não, caro leitos, não estou dizendo que é uma “moda ruim“. Trata-se unicamente de vermos as questões por volta dos conceitos que têm surgido de formas tão orgânicas – e acabam por limitar em tipos específicos de peças as vitrines.

O desenho de corpo que se assemelha ao da mulher recatada dos anos 60. Foto: Forum

O desenho de corpo que se assemelha ao da mulher recatada dos anos 60. Foto: Forum

O conforto é um belo argumento para mulheres que vêm sendo, ao longo dos anos, “sentenciadas” ao salto alto, aos espartilhos, aos sutiãs e a tantas outras amarras que tantas acham tortuosas, as quais homens não são sentenciados de forma alguma (até não se usa mais os seguradores de meias que se assemelhavam a espartilhos de canela!).  A forma, a estrutura feminina, o corpo sinuoso (ou mesmo a valorização do corpo, como citamos antes) pode SIM ser omitido se assim a mulher desejar, e sim, essa tendência tem seus prós e contras. A super cobertura (mesmo tratando de inverno) e as peças largas não favorecem a todas, como praticamente todas as tendências. O preocupante é o extremismo da roupa, que chega rápido e de forma única e restrita ao consumo.

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