Moda e ecologia I – A roupa e a água

Porto Alegre tem constantes problemas de água, mas este ano chegou num nível absurdo, onde a água tem cor, cheiro e está inapropriada para consumo, se chegou (inicialmente) na possibilidade de excesso de dejetos caseiros na água (esgoto, mal tratamento da água) e, agora, a algumas empresas que podem estar liberando mais químicos que o autorizado.

fibra-tecido-natural-ecologia-agua (2)Como a primeira justificativa ia de encontro ao público, não se pode desfocar do consumo e da sistemática de limpeza das roupas.

Para isso, temos de nos ater a uma questão importante mundialmente: há o estímulo do consumo de produtos de fibras naturais. Toda referência a moda, num todo, foca em fibras naturais. Aliás, os centros de moda do país já tiraram toda e qualquer referência de fibras sintéticas (exceto, é claro, o couro e as peles sintéticas, que daí batemos também na causa animal).

Sendo São Paulo e Rio os principais eixos de moda do país, e a produção estando focada no nordeste (por questões de custo de produção – o Ceará já foi chamado de “China brasileira”), o sul destoa do resto do país por diversos motivos. Entre eles, a temperatura (os principais eixos de consumo e produção de moda não têm produtos que atendam o frio que faz pelos estados da região), o custo da mão de obra e da produção em geral nos estados, e mais especificamente no RS, a tributação para entrada de produtos no estado. Com isso, os produtos  que se mantém nas prateleiras por aqui são os que são mais baratos, o que faz haver cada vez menos moda autoral – até pela população ser mais padrão no consumo, seguindo menos conceitos, e sim, mais opções similares – e cada vez mais produtos tachados como “produto importado”, ou seja, importações chinesas em sua maioria.

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Baratear um produto significa baratear toda sua produção, e as fibras naturais têm uma costura mais elaborada (costura reta e overlock), enquanto a malha necessita apenas de overlock e galoneira, que são mais rápidas para a finalização. Ou seja, tecidos como viscolycra são muito populares e baratos nos estados, sem contar no tanto de produtos em poliéster que vêm de importações com estampas inacreditáveis.

Os últimos estudos, que são muito pouco falados por conta dessa leva de importações de produtos e tecidos (e ninguém tem uma pele sintética tão boa quanto os chineses!!!), apontam que as fibras sintéticas também depositam parte dessas fibras na água quando são lavadas. Por essa lógica, micro fibras que são componentes de tecidos ainda mais baratos, ejetam ainda mais resíduos durante uma lavagem de roupas.

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Enquanto isso, fibras naturais são menos poluentes, mas acabam tendo uma vida útil de pigmentação mais curta também em função disso, diminuída exponencialmente por conta das recomendações dos sabões em pó – e que qualquer alergista se coça só de ouvir falar na quantidade de sabão que as pessoas gastam com lavagens e que, habitualmente, deixam resíduos nas peças, ou necessitam de enxague duplo ou triplo, que as novas máquinas de lavar agora oferecem.

Ou seja, as questões ecológicas ao redor da indumentária estão sendo pouco evidenciadas por (literalmente) questões econômicas, onde tanto o gasto sobre o produto, sua vida útil e sua lavagem estão envolvidos.

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Certamente isso não justifica as questões referentes a qualidade da água na capital gaúcha, mas, sem dúvida alguma, é necessário que se pense muito com relação a água doce do mundo.

Dicas para lavagem com menos químicos:

  • Use sabão em pó com bicarbonato. Se tem dúvidas se seu sabão tem ou não bicarbonato, misture vinagre de álcool nele – o bicarbonato reage com vinagre, gerando espuma.
  • Diminua o sabão em pó: a referência de medida das máquinas de lavar e das colheres medida de brindes são cerca de 4x mais que o necessário. O uso correto não deixa cheiro na roupa depois da lavagem – o que aumenta a vida útil das peças, pois não deixa os resíduos que desgastam os tecidos.
  • Amaciante é necessário para abrir as fibras das peças e limpar entre elas, bem como remover resíduos que estão ali. Mas se quer ser natureba mesmo, aposte na mesma medida de amaciante com vinagre de álcool: o efeito é o mesmo e é muito mais natural.

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