Moda e auto estima – um desafio para o ego

Não se pode falar de moda sem se falar de auto estima. Há, também, a vertente da criação, dos valores, da criação que se teve, mas o amor próprio ainda é um fator dominante na hora de vestir-se.

Temos dessas coisas. Não é só o fato de nos imporem estereótipos do que é feio e bonito, mas de quanto vale a beleza, e o quanto precisamos dela.

Aliás, a moda não serve para isso?

Não, não estou dizendo que beleza não serve para nada. Longe disso! Mas que ainda se diz que uma menina gordinha não pode se amar, ou uma moça bem magrinha pode ser modelo. Hoje temos modelos plus size e distúrbios de alimentação. Os padrões caem. A própria beleza cai. Até pouco tempo atrás, mulheres mais gordinhas eram o padrão de beleza por parecerem melhores para a reprodução. Há menos tempo ainda, o corpo tinha uma barriguinha de leve, e há pouco mais de um ano era bonito barriga sarada e corpo bombado. Paralelamente, se dizia que a gordura era problema de auto estima, que o máximo que podia se ter eram não sei quantos centímetros de cintura senão era não saudável, e hoje se sabe que certas coisas não são bem assim, e que em alguns casos a gordura pode ser saudável. Como saber quem está certo.

 

Hoje temos a moda bem diversificada, e a indumentária também serve para diferenciar estilos e grupos sociais. Ou seja, se tu queres estar naquele grupo, tu tens de estar vestido como eles, ter ideais semelhantes, essas coisas. Isso não é tão simples quanto falamos, pois a maioria das pessoas não sabe se vestir e/ou não encontra determinadas peças e estilos no seu tamanho. Existe um padrão de produção nas empresas, mas não existe um padrão certo ou errado de corpo e formas físicas. E a consequência disso não é unicamente pessoas mal vestidas, mas em algumas faixas etárias é um desmotivador, um depreciador, ter tão nitidamente essa diferenciação física. Mas sabemos que não tem como se manter uma indústria de roupas e de modismos no Brasil lidando com minorias. O país é muito grande. E isso é responsável, também, por não termos uma padronagem de tamanhos a ser seguida: os tamanhos G da C&A equivalem ao 46-48, enquanto da Forum chegam no máximo ao 44. Públicos distintos, os tamanhos são passados para seu público alvo consumidor.

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Adele, a musa gordinha que criou seu estilo retrô, modificou a altura da cintura para ficar visualmente mais magra, e habitualmente usa looks monocromáticos e hiper maquiagem que chama a atenção para o rosto.

Mas voltando a questão de auto estima, você se sente satisfeita com seu corpo? O Brasil tem um índice absurdo de insatisfação feminina. Especula-se que cerca de 85% das mulheres acham que têm de engordar, emagrecer, ficar mais alta, diminuir… O mercado brasileiro de cirurgia plástica é o número 1 do mundo, e o cosmético só perde para os EUA (mas por pouco). Em alguns termos, isso são cuidados e ego, mas em outros é mera insatisfação pessoal, ou, como mencionado antes, “inadequação social”.

Aquela mesma inadequação que faz a magra ser sem graça por não ter curvas, e a gordinha ser simpática; Aquela mesma imposição externa que busca denegrir a sua auto imagem.

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A ditadura da moda te diz que o correto é ter corpo de modelo. Ou seja, alta e magra. Há pouco ficou muito polêmica a foto postada pela Luciana Gimenez no Instagram, onde todos acharam que ela estava magra demais. Oras, mas notaram isso em uma pose específica numa foto de biquini. Qual o limiar da magreza bonita e feia?

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A polêmica foto de Luciana Gimenes.

Nada contra magrinhas, jamais, mas visualmente a magreza excessiva me soa problemas de auto estima. Não que a gordura fuja disso, mas temos um número alarmante de desníveis no corpo que geram gordura, e a magreza excessiva, apenas doenças. Claro que sei que a TV engorda, então para se parecer modelo na telinha tem de estar bastante abaixo do peso (cerca de 10 Kg), mas chegamos num ponto em que a sociedade está mais preocupada com a embalagem do que com o conteúdo, e as mulheres não conseguem se olhar lindas, mas ver suas falhas nos padrões estereotipados de como seu corpo deveria ser, como sua vida deveria ser. Infelizmente, hoje é raro ver meninas sentadas, despojadas, numa mesa de bar, gargalhando. Quando muito, há risos. E creio que estamos chegando num ponto em que não só a moda expressa uma sociedade, mas que o corpo expressa a sua mentalidade. Será a toa que o verão 2014 será cinza?

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Não posso deixar de fechar este post sem o trailer de um filme que me veio a mente enquanto escrevia, “Hunger”, que acima de tudo mostra a magreza excessiva que o ator precisou para o papel. Surpreendente o ator e a situação real que narra.

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