Como não errar nas tendências atuais

Se você (como eu) se perdeu em meio as vitrines, achando que estava em qualquer filme da Sessão da Tarde, você está bem encaminhada.  A moda, de uma hora para a outra, se repaginou por completo para o visual anos 80 – e não dá para acreditar na volta das calças clochá, mas ainda estamos na espera da semi bag. Mas se todas as marcas, das mais exclusivas às mais populares, estão apostando apenas nisso, não estaríamos fazendo como que uma caricatura dos anos 80 quase em 2020? Open your heart to me… 

Sabrina Sato, meio Mulher Maravilha, meio lisérgica: top com golinha é ruim, mas clochá é sempre pior! (E, por favor, exorcisem esse cinto!!!)

Grace Jones que se cuide!

No conceito “moda”, o revival pode existir, sim. Mas quando nos deparamos com um mix de camisetões infantis e bustiês, com legging (que nesse momento já poderíamos chamar de fusô!) e short tipo samba canção em malha, fica bem difícil pensar num visual que não te leve para o mundo dos Barrados no Baile. Só falta um boné que a aba fique bem pra cima, estampada por baixo, para ter um look rebelde como EMF – You’re unbelieveble. Aliás, pense em todas as fases dos anos 80 que elas estão aí, desde o rock até a lambada, e seus respectivos visuais. Aliás, tem novas linhas de produtos que usam frascos como os de Studio Line, e glitter para colocar no cabelo tem do mais caro ao mais barato. Ninguém ‘tem desculpa’ para ficar de fora – exceto o que muitos estão pensando: “não quero isso pra mim”.

Temos a nítida noção de que a indústria da moda foi muito afetada pela ideia da moda de reaproveitamento, e assimilou isso como se o grande trunfo fosse os modelos (que sim, um bom brechó te dá opções muito mais exclusivas de peças e de estilo), não os preços, a exclusividade, o estilo e a sustentabilidade. Então estamos em meio a esse bombardeio de peças plagiadas dos anos 80, com algumas pinceladas dos anos 90 (ah, a camisa de flanela grunge amarrada na cintura… Quem nunca?)… E agora, como fazer para transformar isso de fato em moda com algum estilo?

Porque SIM, essa padronagem da tendência em todas as peças deixa muito difícil a criação de um estilo que não pareça uma caricatura do passado.

Só eu que achei que a Versace tava criando novos looks para as Paquitas?

Quando se fala em moda retrô, seja para brechó, vintage, etc, a contemporaneidade só “exige” uma coisa: não se posicione como se estivesse naquele período, salvo se for um evento temático. Ou seja, não remonte seu guarda-roupas com tudo que está nas vitrines.

Vivienne Westwood e suas apostas monocromáticas com forma e textura que lembra a silhueta do Locomia

E nem pense em justificar as tendências de criação com a situação do país ou do mundo: a criação se mostra em declínio há anos, em todas as marcas – salvo poucas exceções. O trabalho do estilista, que o próprio nome já diz (criar estilo), vem se perdendo aos poucos, até porque pequeno é o público das criações de vanguarda e os consumidores de conceitos; a grande maioria do público opta por tendências padronizadas e comumente aceitas visualmente. Ou seja, muitas são as marcas, brasileiras ou não, que apostam em um segmento de estilo e, ou desaparecem, ou (se têm um nome conceituado já) são compradas ou têm seu conceito alterado.

Para poder se adequar as tendências atuais tão retrógradas e plagiadas, o trunfo que tem de se ter é a capacidade de não se vislumbrar um visual que possa ser usado nos anos 80, nem mesmo um que imite algum visual de “famoso”. Opte por um visual sempre mais limpo, fugindo do mix de estampas de fundo similar se não souber modular isso com maestria. Tente sempre ter peças de cor lisa no armário que, essas sim, desapareceram do mercado, e vão garantir uma identidade ao look. O pensamento para a criação com estilo e conceito, neste momento, é que não se deve querer ter mais e mais referências no visual, focando em apenas 1 ou 2 conceitos específicos e não antagônicos. Nem tudo tem de ser um Studio 54, o glamour tem de transparecer na identidade pessoal.

E se, ao que tudo indica, essas tendências vão ficar por um tempo, apostar em peças mais neutras com mix de acessórios é garantia de contemporaneidade sem cair no caricato.

E não se esqueça: O Supla virou essa caricatura surreal por tentar se assemelhar a esse moço (até no jeito de falar, né?). Ou seja, cuidado, muito cuidado… Ninguém quer ser Supla, nem mesmo Palhaço Bingo!

Preferimos um estilo mais tipo Nouvelle Vague… 

Comentários

comentarios

Related Posts