Arrumando as malas – Santiago, Chile

Uma das coisas mais difíceis quando se trata de viagens internacionais é saber exatamente o que colocar na mala. Com o limite de 23 Kg (e, dependendo do que você está acostumada a usar no seu cotidiano, isso é muito pouco) ecom os famigerados 5Kg de bagagem de mão, torna-se fundamental que se tenha uma forma mais sucinta de arrumar as malas, ainda mais se a estadia ultrapassar 1 semana – ninguém merece viajar e ter de lavar roupas!!!

Quando o país é o Chile, arrumar as malas pode ser uma complicação muito maior. Assim como o Brasil, que tem extremos de temperatura em sua extensão, o Chile tem ao sul a Patagônia, e ao norte o Atacama. Ou seja, como arrumar as malas para ir a Santiago?

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Sempre tem alguém para dizer que Santiago é quente, bem como sempre alguém diz que é frio. A verdade é que é os dois, diariamente. Se comparado a Porto Alegre, é uma temperatura amena – que merece um casaquinho no final de tarde, e uma jaquetinha a noite. Provavelmente essas necessidades sejam maiores se tratando das regiões norte e nordeste, por exemplo.

Todos os dias amanhecem nublados com cara de chuva, e nunca chove – u seja, aquele super casaco para dias de chuva é completamente desnecessário.Até o sol abrir, no meio da manhã, ainda está friozinho, que uma manga longa é mais que o necessário. Mas essa manga longa não é o ideal para passar o dia, pois o sol é muito forte (o que merece um bom estoque de protetor solar, e ainda assim certamente ainda se queime) e as sombras das marquises não existem nos lugares mais interessantes. Ou seja, o grande equívoco é pensar que se precisa de mais de 2 blusas tipo camiseta manga longa. Invista em regatas, baby looks e camisetas normais. Mas nunca saia de seu recanto sem um cardigã ou uma jaquetinha… Até um blusão de modal vale! Mas pense que dificilmente fará um frio que te obrigará a sobrepor peças.

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Santiago é uma cidade pesada, muito mais se pensar do ponto de vista histórico. Ainda se vê a cada esquina lembranças da ditadura de Pinochet (que só depois de ir no Museu dos Direitos Humanos se tem uma noção real – e por isso é recomendável apenas para os últimos dias de viagem), o que transforma, num todo, o Chile como um país de muitas cicatrizes, e que vive não só uma crise econômica, mas uma crise política num todo, com cerca de quase 40% das pessoas reivindicando intervenção militar desde a queda do ditador.

Como o Brasil é o único país da América do Sul que ignora sua história e seus desaparecidos (e que se pode ver mais coisas sobre as tiranias ditatoriais daqui no mesmo museu citado acima), e aqui não vamos criar especulações do porquê disso, é muito mais simples traçar a similaridade com o que se vê nas ruas do Uruguai, por exemplo: prédios cinzas antigos contrastando com prédios novíssimos, enquanto as pessoas se camuflam pelas ruas.

Por isso, as cores padrão rua que você verá são sempre as mesmas: branco, preto, bege, areia, off-white, cinza… Ocasionais vermelhos, bordôs, rosas e azuis, tudo em suas tonalidades mais discretas (e fundo acinzentado). Se fugiu disso, é quase garantido ser turista – e santiago tem mais brasileiros que chilenos, ao que parece, hoje em dia… Isso determina o seu estilo: se é do tipo que gosta de se mostrar, aposte em cores e estampas; se prefere se camuflar, as opções chilenas estão aí.

Sem dúvida nenhuma, a peça chave é uma pashmina. Isso é uma excelente notícia por diversos lados: é a tendência do verão brasileiro, é uma peça tradicional da cultura andina, serve para absolutamente tudo por lá (desde como poncho até como mero adorno) e, caso você não tenha um, pode encontrar nos mais variados preços (sendo uns bem baratos) – cerca de $2.000,00 tipo lenço, $3.000 tipo turca (ambos nos arredores do Patio Bella Vista, nos camelôs) e $7.000,00 em lã de alpaca ( na feira de Santa Lucia, não na parte indígena).

Considere que comprando aqui, 1000 pesos saem por R$6,60 em média. Lá, consegue-se uma valorização ainda maior do Real.

Por fim, a quantidade de peças.

A cultura do lugar é bastante estranha para nós, brasileiros, se assemelhando mais ao comportamento europeu. Ou seja, eles não estarão reparando se sua roupa está suja ou se está repetindo looks, até porque lá as mulheres não se arrumam. O simples fato de você se maquiar (e isso pode se considerar apenas rímel e batom) já é extremamente incomum entre as mulheres locais, que em sua maioria usam peças muito masculinizadas. Ou seja, focar em apenas uma muda de roupas por dia que for ficar por lá é mais que o suficiente. Pode levar uma roupa de banho para caso vá até alguma água termal ou caso tenha uma piscina aprazível em seu hotel/hostel, pois dificilmente arriscar-se-á nas turbulentas e frias águas do Pacífico em Viña del Mar (a temperatura assemelha-se as águas do litoral do RS, mas muito mais tempestuosas e com areia grossa que ricocheteia nas pernas).

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Para sair a noite, seu vestidinho de dia é mais que o necessário. Pode complementar com uma bijoux qualquer, visto que são muito pouco usadas. Se colocar uma com cor, então, NOSSA! Super arrumada! Aliás, maquiagem é luxo, e batom vermelho é o extremo da ousadia. Por sorte para nós, mulheres, o povo chileno é extremamente receptivo e tímido, então caso você tenha um estilo mais ousado ou peças que destoem do padrão da cidade, não vai correr nenhum tipo de assédio, nem mesmo os fatídicos “fiu fius”. No máximo alguém lhe entregará um número de telefone ou coisa assim…

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