Moda e poesia com o poeta Mário Quintana

Hoje faz 20 anos da morte do poeta Mário Quintana, alegretense, amante das ruas, parques, árvores e outras belezas únicas de Porto Alegre. Quem nunca leu um poeminha e encantou-se com o poder do poeta de dizer muito e desenhar inúmeras imagens em nossa mente, apesar da escolha de simples palavras bem arranjadas em versos suaves e amigos?
O olhar do poeta é aguçado para a simplicidade dos pequenos acontecimentos do cotidiano e a capacidade de transformá-los em uma pintura de palavras que maximizam a essência da vida
Assim como em sua maneira de poetar, Mário Quintana tinha um estilo simples de se vestir: camisa, paletó, calças sociais, cores neutras. Dessa maneira ele andava pela Rua da Praia a observar os pássaros e os doces gestos de uma criança transformarem-se em um delicado poema. Para que extravagância? Seu estilo de escrita fechava perfeitamente com a maneira de se vestir. Para Quintana, menos era mais. As palavras, assim como as roupas, quando bem arranjadas, transmitem ideias, sentimentos, desejos e reflexões de uma maneira muito mais pura e rica. O locutor faz-se entender ao interlocutor de maneira satisfatória, coerente, com uma franqueza madura.
Mário Quintana não tinha um estilo dândi, nada de muita sofisticação e tampouco devia achar fino lustrar os sapatos com champagne! Sem gravatas borboleta, calças justas, sobretudo exagerado. O visual é clean, mais leve, transmite uma calma, assim como a maioria de seus poemas. Suas roupas parecem ser confortáveis, assim como os poemas são aconchegantes e convidativos para uma reflexão tranquila e bem humorada sobre a vida.
Como o poetinha mesmo diz, no poema O Poeta é Belo, do livro Esconderijos do Tempo:

O poeta é belo como o Taj-Mahal
feito de renda e mármore e serenidade

O poeta é belo como o imprevisto perfil de uma árvore

ao primeiro relâmpago da tempestade

O poeta é belo porque os seus farrapos

são do tecido da eternidade.

Mário Quintana era belo em sua doce maneira de poetar sobre o mundo, a vida, nossa cidade, amores, o tempo e a morte. Mesmo em sua simplicidade, a riqueza que trouxe para nossa literatura é infinita. Uma pessoa comum dirá muito com uma porção de palavras, um poeta verdadeiro pode expressar o universo com apenas algumas. O profundo está no simples. Seu jeito de se vestir, ser e escrever pode em algum momento no passado ter parecido insuficiente para um poeta. Tudo que se faz saliente e estrondoso parece mais digno de atenção. E Quintana é do tecido da eternidade, é do tecido do qual Porto Alegre é feita, e é com orgulho que nós podemos dizer que ele é o nosso poeta querido.

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