Ler nas ruas é sempre bom

Foto: João Pedro Wapler

Foto: João Pedro Wapler

Converso aqui pela segunda vez com meu amigo Leonardo Bomfim. Hoje ele é programador da Sala P.F. Gastal e um dos editores do Zinematógrafo, duas das melhores fontes cinematográficas de Porto Alegre.

Em comparação a outras capitais nacionais,  como você vê POA hoje em matéria de cultura? 

Não sei se consigo comparar, porque não acompanho de perto as outras capitais. Mas eu acho que há muita coisa acontecendo em Porto Alegre, acontecendo espontaneamente, nas ruas, na noite, depois de um bom tempo de marasmo. Não sei se isso é cultura e talvez é até melhor que não seja. Tem muita gente que ainda lamenta a ausência de arte num sentido mais tradicional, aquela coisa: “agora vamos parar e prestar atenção porque vai começar a arte”. Eu acho isso meio maluco, agora mesmo na ocupação da Câmara, tinha gente que nos primeiros dias lamentava o fato de que os artistas não estavam lá. Poxa, o pessoal ocupou a Câmara Municipal! Precisa mais alguma coisa? Então eu acho que Porto Alegre vai muito bem, hoje as pessoas estão loucas pela rua, de sair, se apaixonar, se perder e isso só vai aumentar.

Você acha realmente o gaúcho esse povo “culto”, alcunha que de vez em quando surge por aí? 

Tem aquela frase clássica do Jack Palance no O Desprezo do Godard: “quando ouço a palavra cultura, saco longo meu talão de cheques”. Como o porto-alegrense tem um tesão enorme por sacar o talão de cheques, acho que a resposta é sim.

A cultura no Brasil é elitizada demais?

A cultura brasileira deve ser uma das mais populares do mundo. Aqui é tudo naturalmente misturado, a gente não tem esse peso com a cultura que os criadores do conceito de cultura costumam ter. Então é ótimo, porque ao mesmo tempo em que a gente não é deslumbrado com a ideia de cultura, também não sentimos a necessidade de desprezá-la. A relação acaba mais prazerosa.

O brasileiro precisa ler mais ou sair mais às ruas? 

Cada um tem suas necessidades e faz o que gosta. Mas “ler mais” é algo bem subjetivo. Ler o quê? Essa ideia de que a leitura, por si só, é capaz de transformar uma pessoa, eu não engulo. Mas de qualquer forma, ler nas ruas é sempre bom. Inclusive as paredes e os muros, que hoje dizem muito sobre o nosso mundo.

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