Dos livros proibidos: O Despertar dos Mágicos

Herdei a primeira edição brasileira de “O Despertar dos Mágicos”, e lá ficou parado por cerca de 15 anos…

Consegui histórias envolvendo o livro, e coisas assim, mas nunca de fato peguei com gana o livro. Foi numa das minhas alternâncias de pesquisa sobre o Nazismo que o nome surgiu.

É um tanto surreal pensar que em pleno ano de 2015 ainda existam livros proibidos no país. Realmente não sei se é proibido claramente ou se todo mundo sabe que não se pode produzir, constando nas editoras unicamente como esgotado. Esse é o caso de Mein Kampf, de Adolf Hitler (rezam as lendas que houveram algumas comercializações durante a Feira do Livro de Porto Alegre, na surdina, muito mais escondido que qualquer traficante – a história fala da parte de trás de uma das bancas, após o fechamento da feira), Michael, do Joseph Goebbels (que nem foi traduzido), alguns tantos envolvendo a Igreja Católica e algumas biografias de figuras históricas.

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Louis-pawels-jacques-bergier-o-despertar-dos-magicos (4)Mesmo que muitos considerem os livros que retratam pilares do nazismo ou outros tantos assuntos polêmicos um tipo de arma ou um estimulante para neonazistas ou coisa assim (os mais aficcionados no tema, mesmo que não apoiadores nem devotos, garantem que os nazistas estão ativos como nunca antes – nem em tempos de Hitler), já é bastante inquietante gerenciar que estudantes de bases políticas não tenham acesso a esse tipo de material, seja para posicionarem-se contra. Parece que há uma privação do conhecimento num todo, ou mesmo que não somos dignos de conhecer a história humana em totalidade. Na própria Alemanha esses livros estão em acervo, por que não no Brasil?

Numa daquelas revistas Sexto Sentido, eis que surge uma matéria sobre as origens do Nazismo. Mesmo polêmico, o tema (talvez por ser proibido) atrai muitos olhos curiosos. Atraiu os meus. Na matéria, mencionava-se o VRAL, suposta linha filosófica seguida por alguns alemães lá por 1910. E se você acha isso cedo, considere que o Partido Nacional Socialista data de menos de 20 anos depois disso. Em algumas nuances, crê-se que é ainda anterior a data. Nessa matéria, ressurgiu o nome “O Despertar dos Mágicos”, afirmando ser uma explanação da linha de pensamento… Ou seria uma seita?

Louis-pawels-jacques-bergier-o-despertar-dos-magicos (6)Falando assim, com certeza parece um livro ficcional a la Código da Vinci, mas não. O livro data de 1960, e é de autoria e pesquisa de Louis Pawels e Jacques Bergier.

Como o nome em português explica, trata-se de uma introdução ao realismo fantástico. Tal afirmação é inquietante, pois “O Despertar dos Mágicos” segue entre os tais livros proibidos, mesmo após 50 anos de seu lançamento. Você pode fazer o download, mas em espécie, boa sorte em sebos!

Mein Kampf também está completando 50 anos de vida logo logo… Haverá uma edição, ou alguns PDFs por aí, apenas?

Sendo um livro de certa idade e de conteúdo duvidoso, o mínimo que se espera é uma linguagem mais complexa e de difícil leitura. Pleno engano. A linguagem é como um bate-papo, e em diversos momentos Pawels conversa com o leitor, sugerindo (até) que avance algumas páginas ou capítulos, caso tivesse ficado de alguma forma entediado.

Louis-pawels-jacques-bergier-o-despertar-dos-magicos (3)E, sim, esse capítulo de apresentação de Pawels não é das coisas mais interessantes para a grande maioria – mas lendo nos dias atuais, pareceu tão necessário que todos lessem…

Trata-se de dar-se liberdade: Liberdade para ler, ouvir e pensar, como uma abertura de mente. Se você for ler o livro, não adianta ir definindo o que é certo ou errado, ou só dividindo informações assim. Se for dividir as coisas em possíveis e impossíveis, em sim e em não, ou mesmo em reais ou irreais, adentrar nas pesquisas sobre alquimia é apenas perda de tempo.

Talvez por isso, desde seu lançamento, o livro seja tarjado como inquietante. É um livro que dá mais perguntas do que respostas, e apresenta argumentos só válidos pros críveis do incrível – e nisso, um dos elementos que surge ali pelo meio, aqui e acolá, é a existência ou não de Deus (não de religião, mas de Deus). Se estamos acostumados a ver ou preto, ou branco, como ver os tais cinquenta tons de cinza?

Realmente, as críticas que li não fazem sentido algum. Se trata-se de um autor cético ou qualquer coisa assim, que não escrevesse sobre um livro que tem como base principal a magia e as possibilidades. A própria Wikipédia é muito vazia no que se refere ao livro, mas acrescenta que o material de pesquisa está inventariado na França, no Fundo Pawels.

Louis-pawels-jacques-bergier-o-despertar-dos-magicos (2)Se há o desmerecimento do conteúdo, considero-o inquietante. Diante de uma sequencia de suposições, questionamentos e indagações, aponta para o que seria hoje uma “teoria da conspiração”, onde coloca o conhecimento do todo nas mãos de poucos, que seriam capazes de manipular o que podemos (devemos?) conhecer ou não. Se sem o livro já se fala tanto de uma Área 51, certamente “O Despertar dos Mágicos” coloca em voga outros temas e eventos esquecidos (ou camuflados?) pela história.

Sigo nunca tendo lido Mein Kampf ou Michael, apesar da absurda curiosidade. Sigo sendo uma leitora fiel de biografias que lancem o paradoxo, que façam indagar a história, e, se já nas primeiras menções ao nazismo o livro aponta questões simples que a história atual “esqueceu” de nos contar, torna-se um livro interessantíssimo para quem tem interesse no ocultismo, no exoterismo, no contato a ciência com o (suposto) impossível e na abertura de pensamentos e possibilidades. Pode parecer lúdico, e certamente aos olhos de muitos seja, mas a ideia não é explicar, mas lançar a ideia de busca.

“Nada é excluído, nem o sim, nem o não. Não descobrimos nenhum ‘guru’; não nos transformamos em discípulos de um novo messias; não propomos doutrina alguma. Esforçamo-nos simplesmente por abrir para o leitor o maior número possível de portas, e, como a maior parte delas se abrem do lado de dentro, afastamo-nos para deixá-lo passar. “

Página 20.

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