“La Marca del Hombre Lobo”, a estreia do lobisomem de Paul Naschy

La Marca del Hombre Lobo é o primeiro filme da cultuada série protagonizadas pelo lobisomem Waldemar Daninsky, todos interpretados pelo seu idealizador Jacinto Molina, ou Paul Naschy, seu pseudônimo norte-americano, com o qual ficou conhecido.
Paul Naschy (1934-2009) tinha um projeto de criar um lobisomem inspirado em seu ídolo Lon Chaney Jr. Ele correu com a ideia, que acabou sendo sistematicamente recusada – reza a lenda que um dos diretores que negou foi Amando de Ossorio, alegando que filmes de terror não dariam certos na Espanha, e, depois do sucesso do lobisomem, o próprio de Ossorio partiria a realizar esse tipo de filme, criando a sua própria saga, a dos zumbis cegos templários.
Molina, que já tinha atuado em alguns filmes, conseguiu dinheiro com produtores alemães, e convenceu um diretor tocar seu projeto, Enrique López Eguiluz. O roteiro ficou a cargo do próprio Jacinto Molina, em sua estreia nessa função, que também se encarregou de atuar – para isso adotou o pseudônimo de Paul Naschy, inspirado nos nomes do então Papa Paulo VI e de um amigo, Imre Nagy.

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O toque final ficou por conta da censura do ditador Franco, que não queria que o lobisomem fosse espanhol e nem que a ação da história se passasse no país. Sendo assim, nasceu a saga do conde polonês Waldemar Daninsky, que acaba rodando o mundo buscando a cura de sua licantropia (nome que se dá, segundo o folclore, a pessoas que tem a capacidade de se transformarem em lobisomens). Assim, com tudo pronto, sirgiu La Marca del Hombre Lobo, em 1968, dando inicio a saga.

O filme começa em alguma região do Leste Europeu, onde acaba se criando um triângulo amoroso entre o conde Waldemar Daninsky, a condessa Janice Von Aarenberg (Dyanik Zurakowska) e o playboy Rudolph Weissmann (Manuel Manzaneque). Graças a visita dos três a um castelo -em ruínas- de uma família chamada Wolfenstein (seria a soma de wolf, lobo em inglês, com o sufixo de Frankenstein?). No local, há o tumulo de um nobre que foi morto com uma cruz de prata no peito por se transformar em lobisomem nas noites de lua cheia.
Entra em cena um casal de ciganos, Gyogyo (Gualberto Galbán, em seu único trabalho no cinema) e Nascha (Rosanna Yanni, que depois apareceria em vários filmes no cinema de gênero espanhol, aqui com um decote voluptuoso). O casal nômade tenta se refugiar da chuva dentro de castelo. Encantados com as jóias que encontram, eles resolvem fazer uma limpa no local. É óbvio que retiram a cruz de prata do cadáver reanimando-o, assim como é óbvio que a chuva para, expondo então a lua cheia. Logo a confusão está armada.

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Com o lobisomem à solta e fazendo vítimas no vilarejo, logo a população sai a caça, incluindo Waldemar e seu rival amoroso Rudolph. Os dois acabam topando com a fera, e Waldemar salva vida de Rudolph, mas o preço lhe sai caro: o lobisomem o mordeu, infectando-o assim com a maldição da licantropia.

Desgraçado, Waldemar se isola nas ruínas, onde outrora habitava o outro lobisomem. Sua amada Janice e Rudolph, seu agora amigo devoto pelo fato do conde ter salvo sua vida, acabam achando um resto de esperança na figura de um cientista da região dos Carpátos (para quem não tem intimidade com histórias de terror, é onde ficava a antiga Trânsilvania), que logo chega de viagem com sua esposa.
O detalhe é que o Dr. Janos Mikhelov (Julián Ugarte, do clássico giallo Todas as Cores do Medo), assim como sua bela esposa Wandessa Mikhelov (Aurora de Alba) são, na verdade, vampiros, e estão interessados em morder Janice e Rudolph, não em salvar Waldemar. Pelo contrário: o casal vampiro chega a ressuscitar pela segunda vez o barão Wolfstein. Os conflitos entre humanos, lobisomens e vampiros serão inevitáveis.

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La Marca del Hombre Lobo é a pedra fundamental do lobisomem de Paul Nashy, dando origem a mais de uma dezena de produções, todas as características que marcaram os filmes com o personagem estão aqui: roteiro maluco, diálogos risíveis, elenco canastrão, direção ruim, efeitos especiais precários, baixo orçamento, humor involuntário… Ou seja, sua esperança de um filme de terror sério se acaba aqui. Em compensação, temos diversão suficiente por uma hora e meia.
La Marca del Hombre Lobo acabou sendo lançado na época nos EUA com o estapafúrdio título de Frankenstein’s Bloody Terror, sendo que a criatura criada por Mary Shelley nem dá as caras por aqui. Também foi relançado com nomes como: The Wolfman of Count Dracula, The Vampire of Dr. Dracula, Vampire Dracula vs. the Werewolf, Hell’s Creatures, uma verdadeira dança de títulos. Sem falar que o filme foi rodado em 3D, mas lançado nos EUA em formato convencional, quando foi relançado, agora no formato original 3D, fracassou nas bilheterias.

Curiosamente, uma segunda produção teria sido supostamente iniciada ainda em 1968, Las Noches del Hombre Lobo, mas acabou sendo interrompida com a morte de seu diretor, René Govar, que teria morrido em um acidente de trânsito. Embora Nashy tenha alegado posteriormente o interesse de lançar o que foi filmado, os negativos desapareceram. Há quem diga que tudo não passou de um hoax criado pelo próprio Nashy, de que o filme nunca foi feito, e de que René Gover sequer existiu! O fato é que o segundo filme da série acabaria sendo Los Monstruos del Terror (1970).

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E se aqui o licantropo enfrenta vampiros, ao longo da série Waldemar Daninsky enfrentaria outras criaturas como zumbis, cientistas loucos, o diabo e até o Abominável Homem das Neves (em La Maldición de la Bestia / The Werewolf and the Yeti, 1975), assim como rodaria o mundo, parando no Japão medieval (La Bestia y la Espada Mágica / The Werewolf and the Magic Sword, 1983). Como podem ver, continuidade não era o forte da série, inclusive alternando espaço e tempo.
Embora pouco conhecido por aqui – A Noite do Walpurgis (The Werewolf Vs. The Vampire Woman / La Noche de Walpurgis, 1971) é o único exemplar lançado em DVD por aqui, e numa edição porca diga-se!- a série do lobisomem de Nashy é clássico, com legiões de fãs pelo mundo, e que deve ser conhecida pelos admiradores do cinema de horror.

La-Marca-del-Hombre-Lobo-PosterLa Marca del Hombre Lobo
(Espanha / Alemanha Ocidental, 1968)
Direção: Enrique López Eguiluz
Com: Paul Naschy, Dyanik Zurakowska, Manuel Manzaneque, Aurora de Alba, Julián Ugarte, José Nieto, Carlos Casaravilla, Rosanna Yanni, Gualberto Galbán.

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