“James Batman”, a infame paródia tosca do Homem-morcego e 007 feito nas Filipinas

Quando se associa o arquipélago da República das Filipinas com cinema de gênero, a primeira coisa que vem a cabeça são as co-produções estrangeiras, que aproveitaram os baixos custos para rodar por lá. O precursor foi Roger Corman, no começo da década de 70, que produziu diversas tranqueiras no país (Women in Cages, Night of the Cobra, etc). Depois na década de 1980, foi a vez da invasão italiana, com seus pastiches de Rambo, fazendo das Filipinas um cosplay do Vietnam ( Strike Comando, The Last Hunter, Warbus, sobre este último leia aqui, etc…) e até filmes de zumbis (Zombie 3, After Death). Claro que tem o Apocalypse Now de Coppola, mas daí é outro departamento.

Quanto ao cinema local propriamente dito, temos figuras de destaque do cinema barato, como o diretor Eddie Romero (Brides of Blood, Beast of Blood) que, inclusive, trabalhou sob as rédeas de Corman (The Woman Hunt). Sobre o cinema vagabundo filipino, há o interessante documentário Machete Maidens Unleashed!.

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Agora, uma curiosidade sobre as Filipinas são suas paródias ao Batman da série da década de 1960, comédias como Fight! Batman, Fight! (1973) e o improvável Batman Fights Dracula (1967). Esse filão cara-de-pau foi popular por lá, tanto que ganhou uma homenagem em 1991 com Alyas Batman em Robin. Não é preciso dizer que essas produções não pagavam copyrights nenhum pra DC. E também desnecessário afirmar as “qualidades” mambembes dessas produções feitas com quase nada de dinheiro e muita canastrice.

É desse ‘subgênero’ dos Batmans filipinos que surgiu a comédia James Batman, dirigido por Artemio Marquez, uma paródia muito ruim ao Homem-Morcego e também à série cinematográfica do 007, estrelado por Rodolfo Vera Quizon que, usando o nome artístico de Dolphy, virou lenda nas Filipinas como o comediante mais popular de lá. Entre cinema e TV, ele tem o crédito de 264 trabalhos. E aqui ele faz dois papéis, o de Batman e o agente secreto James (que seria o Bond daqui).

Estamos nos tempos difíceis da Guerra Fria, e a trama começa quando uma reunião da ONU é interrompida por um representante de uma organização criminosa chamada CLAW (claramente parodiando a SPECTRE do 007). Eles exigem em cinco dias que a Europa e o leste da Ásia se tornem comunistas, e que cada cidadão odeie os EUA, caso contrário, os países que desrespeitaram essas demandas serão aniquiladas do mapa.

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O governo então chama Batman (a “estrela” Dolphy) e Robin (Boy Alano), e também o agente James (Dolphy novamente) para acabarem com a ameaça vermelha.

A dupla dinâmica e o agente secreto tomam rumos diferentes em suas investigações. Descobrimos que na CLAW há até o vilão Pinguim, só que mais magro que o original, de cartola charuto e guarda-chuva. A organização criminosa conta também com mulheres que usam máscaras, metralhadoras e vestidos ultra decotados, a ponto de se perguntar como os seios das moças não correm para fora da roupa.

Enquanto Batman e Robin saem lutando com vários vilões no caminho, Dolpho (assim se chama o Bruce Wayne aqui) tenta engatar romance com a filha do presidente. James,  apesar de ser noivo, é mulherengo como o original inglês, vai conquistando as garotas que vê pela frente.

O diretor Artemio Marquez, que tem no currículo mais de 160 filmes, aqui também assina como co-roteirista, James Batman foi concebido como veículo para Dolphy, que na época tinha tanto prestigio por lá que chegou a fazer uma apresentação de stand up como abertura para os Beatles!

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Não se sabe se é pela diferença cultural ou se o filme envelheceu, mas o fato é que Dolphy, assim como o filme como um todo, não tem graça alguma! As piadas infantiloides lembram Os Trapalhões em sua pior fase. Como quando James é mordido por uma centopeia na nádega.

Se o filme fracassa nas tentativas cômicas, sobra bizarrice e tosqueira para divertir os cinéfilos mais destemidos e que não abrem mão do desafio de ver filmes muito ruins como este. Não demora muito para percebermos que o filme nada mais é que um amontoado de sketches sem graça e desconexos, deixando a sensação da inexistência de um roteiro (sem falar nas lutas mal coreografadas, que é uma atração a parte). Também é engraçado notar como Batman não usa o desenho estilizado do morcego no peito, mas uma figura indecifrável – seria para tentar driblar o processo de direitos autorais? Isso sem falar na trilha sonora, onde temos versões pastiches e chinfrins dos temas do Batman da TV e da série 007.

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Canhestro, sem graça, mal realizado e, curiosamente, menos tedioso do que parece, onde a péssima cópia disponível na internet só contribui para o clima de tosqueira geral, James Batman é daquelas pérolas feitas para engrossar sua lista de “piores filmes de todos os tempos da última semana”.

james-batman-posterJames Batman

(Filipinas / 1966)

Direção: Artemio Marquez

Com: Dolphy, Boy Alano, Shirley Moreno, Bella Flores, Nori Dalisay, Tessie Concepcion, Diane Balen.

 

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