Hoje estreia em 14 cidades brasileiras o premiado “Câmara de Espelhos”

Um dos filmes mais comentados de 2016 no circuito de festivais, documentário da premiada cineasta pernambucana Dea Ferraz estreia em Porto Alegre dia 23 de novembro, no CineBancários, e segue dia 30 deste mês para as melhores salas de cinema do País nas cidades de Recife, Rio de Janeiro, Niterói, Rio Branco, Fortaleza e Aracaju. A partir do dia 6 de dezembro, ocupa as praças de São Paulo, Brasília e Salvador – logo depois vai para Belo Horizonte (a partir do dia 7) e Curitiba, já confirmada mas ainda sem data. Dia 25 deste mês, o longa terá pré-estreia em Natal(RN), na mostra paralela do Festival Entretodos, e dia 1º/12 em Cuiabá.

Reconhecida na seara da pesquisa documental com os títulos “Sete Corações” (2015) e “Alumia” (2009), diretora e roteirista apresenta resultado de 15 anos de estudos sobre a abordagem do filme-dispositivo. Construída dentro de uma caixa preta, obra documental recorta o discurso masculino banal do dia-a-dia e expõe as violências sutis às quais são submetidas a mulher e sua imagem espelhada pela sociedade. Primeiro longa-documentário autoral de Dea Ferraz, a película é produzida pela Parêa Filmes, Ateliê Produções e Alumia Conteúdo em associação com a Janela Projetos e distribuída pela Inquieta por meio de incentivo do Funcultura/Governo de Pernambuco e recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) da Ancine e do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE)


Como vêem a mulher? O que pensam e como olham para elas? Quem são as mulheres em um mundo de homens? A partir dessas premissas, “Câmara de Espelhos” reposiciona certas questões que passam despercebidas, em especial no cotidiano feminino. O longa-documentário da diretora recifense Dea Ferraz é o primeiro após o sucesso de “Sete Corações” (2015) e também a sua obra mais autoral até aqui.

Um dos mais comentados documentários de 2016, o longa estreia na próxima quinta-feira (23), na sala CineBancários, no centro de Porto Alegre (RS), ficando em cartaz na capital gaúcha por pelo menos duas semanas (até dia 6 de dezembro). Além disso, o filme ganha pré-estréia dia 25 de novembro, em Natal (RN), no Festival EntreTodos, com a exibição em uma mostra paralela dedicada a filmes brasileiros realizados por mulheres e a realização de um debates sobre cinema e feminismo, com a participação de Dea Ferraz, na galeria Câmara Clara.

Após a estreia em Porto Alegre, o doc segue dia 30 deste mês para as cidades de Recife (Cinema São Luiz), Rio de Janeiro (Cine Joia), Niterói (Cine UFF), Rio Branco (Cine Teatro Rio Branco), Fortaleza (Cinema do Dragão) e Aracaju (Cine Vitoria). E a partir do dia 6 de dezembro, por São Paulo (Espaço Itaú de Cinema Augusta), Brasília (Espaço Itaú de Cinema) e Salvador (Espaço Itaú de Cinema) por meio do projeto Cinema por Demanda, a depender da venda de 60% da capacidade de cada sala em ingressos antecipados – logo depois Belo Horizonte (no Cine 104, a partir do dia 7) e Curitiba, já confirmada no Cine Guarani mas ainda sem data. E ainda, no Cine Teatro Cuiabá, haverá, dia 1º de dezembro, única sessão especial.

Ao longo de 2016, “Câmara de Espelhos” circulou por vários festivais brasileiros, mobilizando novos olhares e sensibilidades tanto do público quanto da crítica, sobretudo no 49º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, no Distrito Federal, e no 9º Janela Internacional de Cinema do Recife, com sessão marcada pela manifestação de mulheres do audiovisual. Passou, ainda, pelo 12º Panorama Internacional Coisa de Cinema, em Salvador (BA), 20º Forum.Doc BH, em Belo Horizonte (MG). Este ano, esteve na 13ª Mostra de Cinema do Festival de Inverno de Garanhuns e também no 10º Festival de Cinema de Triunfo, onde levou o prêmio de Melhor Direção.

Violência e poder- Resultado de uma pesquisa de 15 anos sobre os filmes-dispositivo e a tradição da linguagem documental, a obra nasce de um anseio pessoal da realizadora: questionar lugares de violência e invisibilidade nos quais as mulheres vivem diante do consumo de imagens, inclusive delas mesmas. Funcionando por meio de um dispositivo específico, a de uma caixa preta mal acabada com regras e modus operandi constantes, o longa-documentário propõe a reflexão a partir de uma imagem-símbolo que desvela sentidos, falas e microespaços de poder.

“‘Câmara de Espelhos’, para mim, é a possibilidade de jogar luz nesse discurso subliminar, aparentemente banal, que parece invisível e que tantas vezes deixamos passar porque ‘não é tão grave’, como dizem alguns. Com o filme, tento dizer é gravíssimo”, afirma Dea Ferraz, que divide o roteiro com Joana Collier.

Convidados a participar de um “jogo” em que, espontaneamente, emitem suas opiniões e reflexões dentro de uma sala de estar rodeada por uma caixa preta, ao todo 14 homens, divididos em dois grupos, participam como voluntários de uma conversa informal que remente a uma mesa de bar tipicamente masculina, também com suas regras e formatos discursos pré-estabelecidos.

A partir da relação “personagem-personagem”, sem a participação efetiva da diretora ou de qualquer outra pessoa da produção e mediante apenas a instrução sonora, os homens interagem entre si e comentam a exibição de vídeos sobre os mais diversos temas, desde aborto, passando por sexo e casamento até violência.

Graças ao aspecto aberto do dispositivo, o doc. trouxe nuances e expectativas inesperadas. “Não há nenhum contato dos homens com a direção. E o fato de termos as câmeras “escondidas” – eles não sabiam a posição específica de cada câmera, mas sabiam que estavam sendo filmados – causou um deslocamento de atuação que gosto muito. Eles atuam entre si, uns para os outros, mais do que para as câmeras objetivamente”, antecipa Dea. “Não imaginei que o documentário seria tão violento. Na verdade, imaginava que seria difícil trazer à tona esse discurso naturalizado do machismo para dentro de uma sala cheia de câmeras e com o consentimento dos personagens. Mas o que vi e vivi foi brutal”, conta.

Sinopse e processo do filme-dispositivo

“Câmara de Espelhos” recorta a mesa de bar do cotidiano, o universo masculino, joga dentro de uma caixa e nos faz olhar para os discursos banais do dia-dia, desfilando a violência que caminha submersa. Opiniões são reveladas diante do espelho. O que nos dizem da imagem feminina que se apresenta? E onde as mulheres estão? Dentro, fora ou no limite da caixa?

A seleção dos participantes deste filme-dispositivo foi feita a partir de um anúncio de jornal, convocando interessados em expor suas opiniões e reflexões na tela do cinema, de modo que eles estavam cientes de que estariam dentro de um filme. O perfil exigido era de homens com faixa etária de 18 a 80 anos, com boa capacidade de expressão e que morassem na Região Metropolitana do Recife.

Antes das gravações, 60 homens foram pré-selecionados para entrevistas individuais. Sob orientação de Dea Ferraz e conduzidos pelas assistentes de direção Nathalia Gomes e Leo Ferrario, tais encontros foram filmados e tinham o objetivo de fazer um recorte sob o critério de diversidade social, levantando dados gerais sobre relações familiares, escolaridade, classe social etc. Nenhuma pergunta sobre posições ideológicas e de gênero foi feita nesta fase.

O dispositivo é composto basicamente por três elementos: a caixa em si, os vídeos, e a escolha dos personagens. Os vídeos funcionam não somente como estímulos para o debate interno, como também podem ser vistos como o mundo externo que entra pela sala. A pesquisa das imagens midiáticas exibidas (material de Youtube, novelas, filmes, reportagens jornalísticas, programas evangélicos etc) foi realizada durante dois meses, sob a coordenação e supervisão da professora Tatyane Guimarães Oliveira, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

A exibição dos vídeos nas filmagens foi dividida em temas: sexualidade e corpo; religião, casamento e domesticidade; humor; violência. Ao todo, foram seis sessões com cada grupo de homens. Cada sessão durou cerca de 1h40.

O papel das vozes femininas, que “atuam” dentro do dispositivo sem presença corpórea, é outro aspecto importante dentro do longa. Uma das que conduzem os participantes rumo à caixa preta e ao dispositivo, sem aparecer ou revelar o rosto, é a atriz e bailarina Bella Maia. “Pensar minha presença na caixa foi a tentativa de encontro comigo mesma e com o que quero falar. Perceber-me em fendas, rasgos, invisível mas não ausente, é perceber-me como muitas. Como o próprio feminino que está sempre à margem da sociedade, nas fendas do mundo, longe dos olhos do machismo”, justifica a diretora.

Sobre a diretora Dea Ferraz

Dea Ferraz é diretora e roteirista, formada em jornalismo e com especialização em documentários na Escuela Internacional de Cine y TV (EICTV), de San Antonio de los Baños – Cuba. Há mais de 15 anos, pesquisa a linguagem documental, focando seu estudo atualmente nos chamados filmes-dispositivos. É dessa prospecção que nasce “Câmara de Espelhos”e é a partir dela que novas buscas e inquietações se estabelecem. Realizadora de curtas, médias e um longa-metragem (“Sete Corações”), Dea acumula prêmios em vários festivais no Brasil e no exterior, incluindo México, Argentina, Cuba, entre outros.”Alumia”,seu primeiro média metragem (2009), percorreu a América Latina e sagrou-se vencedor nos festivais de Santiago Alvarez, em Santiago de Cuba (Cuba); e no Contra el Silencio todas las Voces, encontro hispano-americano de cinema e vídeo-documentários durante a 5ª edição do DOCSDF (México). Em 2013, a diretora recebeu o convite para dirigir “Sete Corações”, longa-metragem documental sobre os mestres de frevo vivos. Depois de participar do Janela Internacional de Cinema, MIMO e In-Edit, entrou em cartaz no Recife dois anos depois. O doc musical também foi exibido na Rede Globo Nordeste, atingindo a marca de 820 mil espectadores. Em 2017, Dea também circula por festivais com seu segundo longa-metragem autoral, Modo de Produção, selecionado para o 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, no Distrito Federal, e no 10º Janela Internacional de Cinema do Recife.

Câmara de Espelhos

(Doc, 2016, 79 min)

Classificação etária: 14 anos

Direção: Dea Ferraz

Calendário de estreia

CineBancários | Porto Alegre (RS) | 23 de novembro

Festival Entretodos | Natal (RN)| 25 de novembro (pré-estreia)

Cinema São Luiz | Recife (PE) | 30 de novembro

Cine Joia | Rio de Janeiro (RJ) | 30 de novembro

Cine Teatro Recreio | Rio Branco (AC)| 30 de novembro

Cinema do Dragão | Fortaleza (CE) | 30 de novembro

Cine Vitória | Aracaju (SE) | 30 de novembro

Cine Arte UFF | Niterói (RJ) | 30 de novembro

Cine Teatro Cuiabá | Cuiabá (MT) | 1º de dezembro (sessão especial)

Espaço Itaú de Cinema Augusta | São Paulo (SP) | 6 de dezembro

Espaço Itaú de Cinema | Brasília (DF) | 6 de dezembro

Espaço Itaú de Cinema | Salvador (BA) | 6 de dezembro

Cine 104 | Belo Horizonte (MG) | 7 de dezembro

Cine Guarani | Curitiba (PR) | a definir

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