“Faster, Pussycat! Kill! Kill!”, as garotas poderosas de Russ Meyer

“Ladies and gentlemen – welcome to violence!”

Esta sentença feita pelo narrador John Furlong abre o talvez mais cultuado filme do mestre Russ Meyer. O icônico Faster, Pussycat! Kill! Kill!

O filme mostra três go-go dancers de um espelunca que, num dia de folga, resolvem passear, cada uma em seu carro veloz, por estradas desérticas. São elas: Varla (a nipo-americana Tura Satana), Rosie (Haji, atriz canadense de origem filipina) e Billie (a loira Lori Williams).

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O trio esbarra em um casal formado pelo boboca Tommy (Ray Barlow) e sua namorada carola Linda (Sue Bernard), que anda de carro pelo deserto trajando apenas um biquíni. O desentendimento entre as dançarinas e os dois pombinhos leva Varla a matar Tommy com suas próprias mãos e sequestrar Linda.

As três vilãs e sua refém ficam sabendo de uma fortuna em dólares que pertencem a um velho fazendeiro inválido (Stuart Lancaster), que mora com seus dois filhos, Kirk (Paul Trinka) e um musculoso e com problemas mentais que aqui é chamado apenas pelo apelido pejorativo de “Vegetal” (Dennis Busch).

Óbvio que Varla quer botar as mãos no dinheiro do velho, nem que para isso tenha que seduzir o pateta do Kirk, enquanto Billie fica se encantando com os músculos de Vegetal. Enquanto Rosie se limita em ser braço direito de Varla, na verdade mostra uma latente paixão lésbica pela amiga. Tudo isso entre uma e outra escapada de Linda. O desenlace deste imbróglio será trágico.

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Russ Meyer virou uma lenda com seus filmes com mulheres de busto farto e personalidades fortes. Criado pela mãe, o pai abandonou a família quando ele era criança. Russ foi para a Europa na Segunda Guerra Mundial, onde fazia a função de cameraman, registrando o dia-a-dia da tropa. Ele conta que nessa época conheceu Ernest Hemingway, que teria pago uma prostituta para o jovem cinegrafista, tirando assim a virgindade de Russ. Há versões de que a meretriz tinha seios fartos, bem de acordo com a obsessão de Meyer.

Talvez o fato do pai ausente explique a personalidade forte das mulheres nos filmes de Russ Meyer. Em Faster, Pussycat! Kill! Kill!, é um trio de dançarinas voluptuosas, duronas, amorais e impiedosas, sem contar que era multiétnico. Prontas para botar pra correr qualquer machão, enquanto os homens não passam de fracos ou idiotas.

Russ Meyer encontrou na atriz Tura Satana a personificação perfeita de Varla. Tura Satana era o pseudônimo de Tura Luna Pascual Yamaguchi. Aos nove anos, foi estuprada por cinco homens e enviada a um reformatório, pois o juiz entendeu que foi ela, então uma criança, que seduziu os homens. Depois aprendeu artes marciais e acertou as contas com cada um de seus violentadores. Ela costumava dizer que jogou toda sua raiva em Faster, Pussycat! Kill! Kill! Pode-se dizer que Tura Satana não é Varla, mas que Varla é Tura Satana!

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Fracasso de bilheteria em seu lançamento, mas que foi ganhando status de cult ao longo dos anos, hoje Faster, Pussycat! Kill! Kill! é um dos filmes mais populares de Russ meyer (De Volta ao Vale das Bonecas, Supervixens, Motorpsycho!, etc). Sua forte estilização influencia até hoje filmes e videoclipes. Quentin Tarantino, que jura ter um roteiro pronto para um remake, deve muito a essa obra, tanto em seu épico Kill Bill quanto a suas garotas em À Prova da Morte.

Intenso e insano, Faster, Pussycat! Kill! Kill! transcende a condição de pérola do cinema de baixo orçamento. É um clássico do cinema. Insano, esperto, agressivo e icônico.

Faster-Pussy-Cat-Kill-Kill-PosterFaster, Pussycat! Kill! Kill!

(Eua, 1965)

Direção: Russ Meyer

Com: Tura Satana, Haiji, Lori Williams, Ray Barlow, Sue Bernard, Michael Finn,  Dennis Busch,  Stuart Lancaster, Paul Trinka, John Furlong.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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