“Crônica da Demolição” entra em cartaz em Porto Alegre

Crônica da Demolição, primeiro longa-metragem de Eduardo Ades, chega ao CineBacários dia 11 de maio. O documentário fica em cartaz nas sessões das 15h e 19h e conta a história do Centro do Rio de Janeiro, ao longo do século XX, a partir do caso do Palácio Monroe. Com uma narrativa de tensão e atmosfera de suspense, o filme discute o processo histórico que culminou na demolição do Palácio Monroe, e as dúvidas que ainda persistem sobre o assunto. Para além do caso concreto do Rio de Janeiro, o que o filme retrata são os processos e a forças de destruição que atravessam a vida de todas as grandes cidades brasileiras.

Por meio dos materiais de arquivo e de entrevistas com pessoas envolvidas no caso, Crônica da Demolição reconstrói 70 anos de história da Avenida Central (atual Avenida Rio Branco) e do Palácio Monroe. O filme conta com uma centena de fotos antigas e 26 filmes de arquivo – incluindo um raro registro a cores da demolição do palácio – resultado de um ano de pesquisa em mais de 30 acervos e instituições. Suas filmagens foram realizadas no Rio de Janeiro – lançando um novo olhar sobre o centro da cidade – no Senado Federal, em Brasília, e em Uberaba, na fazenda que hoje abriga um portão e os leões do palácio.

O filme conta com depoimentos de pessoas como Noel de Almeida (ex-presidente do Metrô), Humberto Barreto (assessor do presidente Geisel), Maria Elisa Carrazzoni (conselheira do SPHAN), Jonas Sliachticas Filho (restaurador de arte, que participou da demolição), que trazem novas luzes para esclarecer os mistérios que rondam a demolição do Monroe. Arquitetos como Alex Nicolaeff, Alfredo Britto e Ítalo Campofiorito, assim como o ex-prefeito Cesar Maia, entre outros, colaboram para a construção dessa trama.

A estreia mundial de Crônica da Demolição foi no Festival do Rio, na Competição Oficial da Mostra Première Brasil. Participou ainda da Mostra de São Paulo, e festivais de cinema e arquitetura na Turquia e África do Sul entre outros. No total, foram 15 festivais e 5 prêmios: Melhor Documentário no Brasília Int’l Film Festival, Melhor Direção e Montagem no CineJardim, e Melhor Pesquisa e Edição de Imagem/Som no REcine – Festival de Cinema de Arquivo.

Os ingressos podem ser adquiridos no local ou no site ingressos.com a R$10,00. Estudantes, idosos, pessoas com deficiência, bancários sindicalizados e jornalistas sindicalizados pagam R$5,00. Aceitamos os cartões Banricompras, Visa e Mastercard.

SINOPSE

Ao investigar a controversa demolição do Palácio Monroe, o antigo prédio do Senado Federal no Rio de Janeiro, decretada pelo presidente Ernesto Geisel no período militar, o documentário revela os jogos de poder que determinam os destinos de nossas cidades até hoje.


PALÁCIO MONROE

O Palácio Monroe foi construído pela primeira vez na Exposição Universal de St. Louis (1904), nos Estados Unidos, como o Pavilhão do Brasil. Lá ganhou o primeiro prêmio internacional da arquitetura brasileira.

Depois de reconstruído no Brasil (1906), na Avenida Central no Rio de Janeiro, recebeu o nome de Pavilhão de St. Louis. Posteriormente foi rebatizado, por sugestão de Joaquim Nabuco, em homenagem ao presidente americano James Monroe, criador da Doutrina Monroe. Logo tornou-se um dos mais importantes cartões postais da cidade e um dos prédios mais queridos dos cariocas.

O Palácio abrigou diversas instituições, sendo que a mais notória foi a de Senado Federal, de 1925 a 1960 – exceto durante o Estado Novo (1937-1945), quando Vargas fecha o Congresso.

Ao longo desse período, o palácio acabou acumulando uma série de valores: arquitetônico (por sua forma eclética, merecedora de premiação internacional), urbanístico (coroamento da Avenida Central, símbolo principal da modernização da Capital Federal no início do século XX), histórico-político (sede do Senado, uma das mais importantes instituições da república).

Nada disso, entretanto, foi suficiente para evitar seu desaparecimento. Já na década de 1950, o Senado propunha a demolição para abrigar uma sede mais espaçosa. O projeto vencedor da licitação, do arquiteto modernista Sergio Bernardes, traria um arranha-céus de 110 metros de altura para aquele terreno. No entanto, com a transferência da capital para Brasília, o projeto perde seu uso e o palácio ganhar alguma sobrevida. Porém, agora, perdia sua função mais honrosa e passaria a abrigar diferentes órgãos do governo federal.

A partir do fim da década de 1960 e por toda a década de 1970, o centro do Rio de Janeiro sofre intensa transformação. Prédios antigos (especialmente de estilo eclético) eram demolidos para dar lugar a novos edifícios comerciais mais altos – e modernistas. São anos de intensa especulação imobiliária, promovida, inclusive, pelo governo federal, que apostava no setor da construção civil como importante motor da economia – na geração de empregos e de negócios.

Diante desse cenário, o arquiteto Paulo Santos encaminha ao SPHAN – Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (atual IPHAN) uma proposta para tombar o conjunto arquitetônico da Avenida Central, evitando que se perdesse definitivamente a paisagem construída no início do século, na administração do prefeito Pereira Passos. Esse conjunto abarcava as antigas edificações ao longo da Avenida Rio Branco, entre a Avenida Almirante Barroso (onde estavam os prédios do Jockey e Derby Club, e o Clube Naval) e o Palácio Monroe e Obelisco no outro extremo – incluía, portanto, o Theatro Municipal, a Biblioteca Nacional, entre outros.

Trava-se, no entanto, intenso debate no Conselho Consultivo do SPHAN, uma vez que o arquiteto e urbanista Lúcio Costa – funcionário já aposentado da repartição – não recomendava o tombamento de vários desses prédios, porque não via qualquer valor na arquitetura eclética. O não-reconhecimento do mérito artístico dos prédios, acompanhado de uma pressão do governo, leva a que apenas o Palácio Monroe e os prédios do Jockey e Derby Club não venham a ser tombados. Em menos de três anos, os três prédios acabam demolidos.

No lugar dos prédios de Jockey e Derby é erguido um arranha-céu de 40 pavimentos. No lugar do Monroe, nada é feito, entretanto. A praça vazia fez, durante décadas, a população carioca evocar a história do palácio: para que demolir e não fazer nada? Muitas vezes justificou-se a demolição pelas obras do metrô, que de fato estavam revirando a cidade inteira àquele período. Entretanto, se por um lado fotos da época provam que o metrô desviou do palácio, as pessoas não estão de todo equivocadas ao relacionarem o metrô à demolição, conforme declara o engenheiro Noel de Almeida no filme.

A demolição do Monroe acontece entre 1975 e 1976, durante o período militar, por determinação do presidente Ernesto Geisel. Nesse processo, as peças e materiais foram vendidos. O mobiliário do palácio está no Senado Federal, em Brasília. Suas peças mais famosas são os leões que adornavam as portas: um dos pares está numa fazenda em Uberaba, e outro, no Instituto Brennand, em Pernambuco.

SOBRE O DIRETOR

Formado em Cinema pela UFF, Eduardo Ades é diretor, roteirista e produtor. Sócio-fundador da Imagem-Tempo, produtora carioca com 13 anos de atividade. Produziu os longas “Morro dos Prazeres” (Maria Augusta Ramos, 2013) e “Yorimatã” (Rafael Saar, 2014), além de diversos curtas. Diretor e roteirista do premiado curta “A Dama do Estácio” (2012), estrelado por Fernanda Montenegro, Nelson Xavier e Joel Barcellos. “Crônica da demolição” é seu primeiro longa.

FICHA TÉCNICA

Documentário / Brasil / 90 min

Direção e roteiro: Eduardo Ades

Argumento: Eduardo Ades e José Eduardo Limongi

Produzido por: Daniela Santos, Eduardo Ades, João Felipe Freitas

Produção executiva: Daniela Santos

Direção de fotografia e Câmera: José Eduardo Limongi

Cenografia: Dina Salem Levy

Som direto: Antonio Carlos Liliu, Rodrigo Maia

Montagem: Eva Randolph, Eduardo Ades

Pesquisa iconográfica: Remier Lion

Motion graphics: Eduardo Seabra

Correção de cor: Paulo Carou

Edição de som: Thiago Sobral

Mixagem: Jesse Marmo

Música incidental: Philip Glass

Em cartaz no Cinebancários, de 11 a 17 de maio, nas sessões das 15 e 19 horas. Lembrando que o cinema não abre nas segundas-feiras. 

Comments

comments

Related Posts