“7 Homens Sem Destino”, um autêntico tesouro do western

Primeiramente, não confundir 7 Homens Sem Destino (Seven Men from Now, 1956) com o Sete Homens e um Destino (The Magnificent Seven, 1960), clássico de John Sturgess, refilmado recentemente por Antoine Fuqua. As únicas relações entre estes filmes é que são ótimos westerns e têm os títulos em português parecidos. Feito o aviso para evitar maiores confusões seguimos adiante.

7 Homens Sem Destino foi a primeira colaboração entre o diretor Budd Boetticher e o astro Randolph Scott. O resultado foi tão bom, que a dupla engataram trabalhando em mais seis westerns consecutivos.

Randolph Scott, aqui, é Ben Stride, um ex-xerife que sai pelas pradarias afora, caçar sete homens que teriam assaltado um escritório e roubado uma pequena fortuna. Os assaltantes teriam matado uma funcionária do local, que vem a ser a esposa de Stride. É o velho personagem movido a vingança, um tema caro ao western.

Em sua jornada, após ter aniquilado dois dos sete criminosos, nosso paladino solitário se une a um casal de viajantes que mal sabem guiar a carroça que os guia, formado pelo bocó John Greer (Walter Reed) e sua bela esposa Annie (Gail Russell). Enquanto o ex-xerife vai em busca de vingança, o casal vai em busca de oportunidade de uma vida melhor, tentando a sorte no oeste. Em meio a jornada, se junta ao grupo o bandido Bill Masters (Lee Marvin, impecável) e seu fiel escudeiro Clete (Don ‘Red Barry). Masters é um velho conhecido de Ben Stride, inclusive o fora-da-lei já foi preso um par de vezes pelo ex-xerife. A intenção do bandido em se juntar a caçada é óbvia: colocar a mão na fortuna que foi roubada.

O ótimo roteiro de Burt Kennedy (que depois acabaria escrevendo outros westerns da dupla Budd Boetticher / Randolph Scott) é cheio de nuances. Bem Stride segue os assassinos de sua esposa, carregando um sentimento de culpa. Após perder o cargo de xerife, ele recusou a proposta de trabalhar como auxiliar de xerife. Sem emprego, acabou forçando a esposa a trabalhar na empresa onde acabou sendo assassinada. Também não falta a atração reprimida entre nosso herói e a esposa do viajante. O filme guarda para o fim ainda algumas surpresas.

Outra questão interessante é como o filme trata os indígenas. Depois de caçados e encurralados pelo homem branco, o nativos norte-americanos estão reduzidos a bandos que vivem na miséria, roubando cavalos para se alimentar. Em uma sequência bem curiosa,[ Stride e seu casal de amigos esbarram num pelotão da cavalaria. O oficial alerta que há em torno de cem índios na região, “você está contando as mulheres e crianças” responde o ex-xerife, “são perigosos’ insiste o militar, “estão perigosos, estão famintos’ finaliza Stride.

Produzido pela Batjac Productions, produtora de John Wayne, 7 Homens Sem Destino era para ser estrelada pelo astro do western, mas acabou recebendo o convite para estrelar a próxima produção de seu grande amigo John Ford, um tal Rastros de Ódio. O projeto, então, foi quase engavetado. Agentes de Robert Mitchum se interessaram em comprar o roteiro para, assim, fazer um veículo para o astro. Para não dar essa moleza para o Mitchum, resolverem reanimar o projeto. Entre os atores cotados para o papel de Stride estavam Gary Cooper e Joel McCrea, que acabaram recusando. Randolph Scott, que estava em decadência, aceitou, e o filme acabou revivendo sua carreira. A atriz Gail Russell foi sugestão do próprio John Wayne, que já tinha trabalhado com a moça em O Anjo e o Malvado e O Rastro da Bruxa Vermelha.

Feito com baixo orçamento e inspiração rara, 7 Homens Sem Destino é uma pérola que merece e deve ser descoberta.

7 Homens Sem Destino

(Seven Men from Now, EUA / 1956)

Direção: Budd Boetticher

Com: Randolph Scott, Gail Russell, Lee Marvin, Walter Reed, John Larch, Don “Red” Barry.

 

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