Lixo Extraordinário

De alguns anos pra cá, Vik Muniz vem se tornando um dos artistas plásticos mais populares do Brasil e fazendo muito sucesso mundo afora (é o artista brasileiro mais caro no exterior). Fez exposições no MAM Rio e no MASP , criou abertura de novela das oito da Globo e agora um documentário! Há quem critique sua popularização, alegando que o artista está se vendendo ou simplesmente por achar que “se todo mundo gosta perde a graça”, mas eu, sinceramente, acho que ele consegue unir qualidade e popularidade (não achemos que tudo que é popular é Romero Britto !).

Fonte: Divulgação Vik Muniz

Bom, ontem assisti ao filme Lixo Extraordinário , que mostra o trabalho de Vik com os catadores de materiais recicláveis no lixão de Jardim Gramacho , no Rio de Janeiro. Eu, que já admirava o trabalho do artista, depois de ver o documentário, fiquei ainda mais fã. O objetivo do artista, como ele mesmo diz no filme, é “poder mudar a vida de um grupo de pessoas com os mesmos materiais que eles lidam todo o dia”. Assim, propõe à comunidade fazer retratos de alguns catadores que posteriormente leiloaria, revertendo-se o dinheiro à associação de catadores. Vik fotografa essas pessoas e depois cria, a partir dessas fotos, imagens feitas de lixo. Os catadores participam não apenas como modelos, mas também ajudam a fazer as montagens com o lixo, o que é mostrado no filme. Nesse processo, não só o lixo se transforma, mas também a vida dos catadores: esses se beneficiam financeiramente com a venda das obras e também passam a enxergar o mundo e a si próprios de outra forma.

Vik não é o primeiro artista visual a realizar um trabalho “beneficiente”, Nicolas Floc´h , na última Bienal do Mercosul , mostrou um trabalho chamado A Grande Troca , em que se propunha, junto com moradores de três comunidades da capital,, construir objetos que representassem desejos reais e coletivos, aos quais essas comunidades não têm acesso e que seriam posteriormente trocados pelos objetos reais que estavam representando, sendo esses entregues a elas. O processo é semelhante ao de Vik: propõe-se a realização de um trabalho junto a uma comunidade e o resultado desse se reverte em benefícios a essa.

O artista. Fonte: Divulgação Vik Muniz

Não acho que uma obra de arte tenha que agradar a um grande público para ser considerada boa, nem julgo essencial que ela tenha um engajamento social, mas também não acho que essas coisas sejam prejudiciais à obra, ao contrário do que muitos julgam. Pelo contrário acho que quanto mais pessoas uma obra de arte puder atingir, melhor, e se ela pode transformar uma realidade social, lucramos ainda mais com ela.

Bom, assistir ao documentário é uma ótima forma de pensar sobre essas questões e conhecer melhor o trabalho do artista. O filme é bastante comovente e até divertido, fugindo à monotonia de muitos documentários. Recomendo para quem conhece e para quem desconhece o trabalho do artista; para os que se interessam por arte contemporânea e para aqueles que acham um grande nonsense; para os que apreciam ou não documentários, enfim… O filme merece ser visto! Ah, e um pequeno detalhe: apesar da exibição ser restrita a pouquíssimos horários e salas, Lixo Extraordinário está concorrendo ao Oscar de melhor documentário , mas isso fica para a coluna de cinema.

Informações:

Título original: Waste Land

Gênero: Documentário

Ano: 2010

País de origem: Brasil, Reino Unido

Duração: 99 min

Língua: Inglês

Diretor: Lucy Walker, João Jardim, Karen Harley

Salas:

Unibanco Arteplex , 08 – 15h40 – 20h10

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